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Juros
À
espera da arrancada
Elogiada
no exterior, a
política econômica
de
Lula ainda não encenou
o "espetáculo
do crescimento"
AP
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| John
Snow, secretário do Tesouro dos EUA, e James Wolfensohn,
do Banco Mundial: aplausos ao Brasil |
A economia
brasileira parou no primeiro semestre e a previsão é
que volte a crescer em bom ritmo em 2004. Mas e até chegar
lá? Os três últimos meses de 2003 parecem ter
sido apagados do calendário das empresas no que diz respeito
a investimentos e contratações. Segundo os analistas,
o fenômeno tem raízes no clima recessivo dos seis primeiros
meses do ano, quando as empresas amargaram prejuízos operacionais
e depreciação forte do patrimônio provocados
pela inflação alta. A ordem agora é melhorar
os balanços com mais cortes de gastos. "Muitas companhias
optaram por reduzir os investimentos mesmo sabendo que isso representa
largar em uma posição menos favorável quando
o consumo começar a reagir", diz Paulo Giovanni, presidente
da Giovanni, FCB, uma das oito maiores agências de publicidade
do Brasil. As sementes do crescimento estão lançadas.
A inflação está sob controle, o remédio
dos juros ministrado pelo Banco Central está menos amargo
e o custo do dinheiro para pessoas físicas e empresas, ainda
exorbitante, vem caindo dia a dia.
Um
estudo do Banco Central mostra que as taxas de juro cobradas pelas
instituições financeiras para o crédito pessoal
caíram de 92% ao ano em julho para 84% neste mês. A
queda é muito pequena e não tem poder de incentivar
as pessoas a consumir, até porque o outro fator disparador
das compras, a confiança, anda em baixa. No Brasil, esse
fator é medido indiretamente pelo índice de desemprego,
que, na semana passada, atingiu o recorde de 13%. Mas não
se deve menosprezar o fator que está derrubando os juros
ao consumidor: a competição entre os bancos. Quando
se compara o ritmo de derrubada da taxa básica de juros do
Banco Central, a Selic, que caiu para 20% há quinze dias,
o que se nota é que o custo real do dinheiro está
caindo em velocidade maior. "A competição entre os
bancos e garantia aos contratos, o chamado marco regulatório,
são os fatores que mais contribuem para a diminuição
dos juros e a retomada do crescimento sem pressões inflacionárias",
diz o brasileiro José Alexandre Scheinkman, professor da
Universidade Princeton, nos Estados Unidos.
Escapar
do ciclo vicioso que gera crescimento mas cobra a conta em seguida
na forma de inflação é vital para a economia
brasileira. Nos últimos meses do ano passado, a indústria
brasileira cresceu a espantosos 7% ao mês. Mas, como a inflação
medida pelo IGP-M passou de 25% ao ano, a riqueza gerada pelo crescimento
industrial foi anulada.
"Estamos
saindo do fundo do poço, mas é preciso um pouco de
cautela para não haver risco de repetir o problema de deflagrar
a inflação que tivemos no ano passado", explica Dalton
Gardimam, economista-chefe do Crédit Lyonnais. Vista de fora,
a economia brasileira está nos eixos. A política de
vigilância severa sobre a inflação, o compromisso
com o crescimento e a aprovação das reformas estruturais
arrancam elogios. O último foi do secretário do Tesouro
dos EUA, John Snow, durante a reunião anual do Fundo Monetário
Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Dubai, nos Emirados Árabes.
No passado, Snow não escondia suas dúvidas e críticas
à condução da equipe brasileira. Agora está
convertido aos rumos empreendidos pelo ministro da Fazenda, Antonio
Palocci. Na última vez que se encontraram, em Washington,
os dois criaram um grupo de estudos que inclui técnicos brasileiros
e americanos dedicados a entender os obstáculos ao crescimento
no Brasil e na América Latina. Bom sinal.
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