Edição 1822 . 1° de outubro de 2003

Índice
Brasil
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Estilo
A Vani vai, a calcinha fica

Garotas aderem ao modelo maior,
mais colorido e mais divertido


Roberta Salomone


agem
Antonio Gauderio/Folha Imagem
Britney na revista e Fernanda em Os Normais: sem rendas nem fricotes

O último episódio vai ao ar nesta sexta-feira, 3, mas pelo menos um legado permanente a bem-sucedida série global Os Normais deixará: as calcinhas de Vani (Fernanda Torres), a espevitada namorada de Rui (Luiz Fernando Guimarães). Por força de passar boa parte do seriado só de sutiã e calcinha, esta em um modelo muito particular, Fernanda deu sua contribuição para mudar o que parecia imutável. Graças, em parte, ao seu visual, a calcinha de modelo tradicional, minúscula como um biquíni, anda perdendo pontos na preferência nacional. Hoje, as principais marcas de lingerie têm pelo menos uma linha da calcinha da Vani: maior (para os padrões brasileiros), de algodão, larga nas laterais, sem rendas nem fricotes de espécie alguma, inspirada nas cuecas masculinas – só que bem mais bonitinha. Sexy também, com seu corte infantil apimentado por mensagens e desenhos irreverentes. O modelo nasceu nos mercados de moda alternativa e, como quase tudo o que sai dessa fonte, caiu no gosto das bem jovens. Garota moderna hoje em dia só usa calcinhas assim – com uma delas, Britney Spears posou cheia de curvas e de malícia na capa da revista Rolling Stone de setembro. "É um fenômeno. Não me lembro de uma explosão de vendas como esta", afirma Denise Areal, diretora de marketing e estilo da Du Loren, onde o modelo responde por quase 20% da produção.

No Brasil, a mãe da novidade é a estilista Thais Gusmão, uma paulista de 28 anos que desenhou a primeira calcinha-cueca há cinco anos. A participação especial em Os Normais aconteceu por acaso. "A Fernanda queria uma calcinha para a personagem que fosse confortável", conta Thais – e que não mostrasse mais do que o suportável num programa de televisão. "Ela experimentou uma e gostou tanto que acabou usando no dia-a-dia também." Na carona do sucesso da personagem, a Monizac fechou parceria com a Globo Marcas, responsável pelos produtos inspirados em personagens globais, e está lançando vinte modelos feitos de algodão com elastano.

As calcinhas do momento conseguem combinar dois anseios aparentemente inconciliáveis: graciosidade e conforto. Uma pesquisa da Valisère, feita em 2002, constatou que as mulheres sonham com calcinhas e sutiãs que as façam sentir-se sem nada sob a roupa. Ninguém supõe que os modelos maiores venham a aposentar de vez as calcinhas cavadas ou rendas, lacinhos e bordados tradicionais, mas a expectativa é que a tendência se fortaleça. "É superfeminino e sugere uma sensualidade sem vulgaridade", diz a consultora de moda Regina Martelli. Acompanhadas de uma camisetinha combinando, elas são ótimas para dormir – ou cair na balada, com um jeans por cima. Restrições, só duas: 1) a cintura baixa pode fazer saltar gordurinhas em quem tem quadris largos (ai, que inveja da Fernanda Torres); e 2) estampas e frases engraçadinhas tendem a ficar ridículas na mulher que não conta mais – ou, se conta, mente – a idade que tem.


Fotos Pedro Rubens
LOLITAS MODERNAS
Graça e conforto: as calcinhas ficam maiores, ganham cores variadas e estampas e frases divertidas

 

 
 
 
 
topo voltar