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Arquitetura
Cartão
de visita
A "loja-escultura" de Carlos Miele em
Nova York
ganha elogios e representa
a cidade em exposição

Bel
Moherdaui
Paul Warchol
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| A
obra: curvas assimétricas e manequins flutuantes |
Ninguém
espera encontrar numa loja moderninha coisas banais como balcões
e prateleiras abarrotadas de roupas. A loja inaugurada pelo estilista
Carlos Miele em Nova York, em junho deste ano, vai muito além
da modernidade-padrão. Em um espaço claro, cheio de
elementos esculturais projetados por computador, com curvas assimétricas
que criam um efeito futurista, vestidos de até 8.000 dólares
parecem levitar (na verdade estão presos ao teto por fios
de náilon quase transparentes e são iluminados por
um círculo de luz no chão). De tão original,
o projeto coleciona elogios e foi um dos escolhidos para representar
a cidade de Nova York na Bienal Internacional de Arquitetura e Design,
em São Paulo, aberta no dia 15, alguns dias antes do terceiro
desfile de Miele nas passarelas americanas. Na Bienal, a criação
do escritório Asymptote, do egípcio Hani Rashid e
de sua mulher, a canadense Lise Anne Couture, divide as atenções
com fotos e desenhos da moderníssima loja da Prada, no Soho,
e do hotel-butique Hudson, do francês Philippe Starck. "O
projeto foi escolhido não por ser uma loja de brasileiro
eu só soube disso depois de selecioná-lo ,
mas sim pela qualidade do design. Acho que a Asymptote representa
uma tendência internacional de arquitetura interessada em
usar novas tecnologias para criar espaços mais fluidos, mais
sensuais", disse a VEJA o arquiteto Joel Sanders, curador do espaço
reservado à cidade americana na Bienal.
Fotos Luiz C. Ribeiro/divulgação/Paul
Warchol
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dono: investimento de 700 000 dólares |
Esse
é o primeiro grande trabalho com moda da Asymptote, que já
projetou um novo andar da Bolsa de Valores de Nova York e é
responsável pelo Guggenheim Virtual Museum, a filial on-line
dos museus Guggenheim. "Uma das nossas preocupações
era representar o Brasil sem cair no clichê, sem criar uma
Floresta Amazônica, um clima de Carnaval", explica o arquiteto
Rashid. "Pensamos numa pintura abstrata que evocasse a cultura,
a natureza e a música do país. Também nos inspiramos
nas roupas criadas pelo Carlos: os tecidos cortados a laser, as
camadas. A loja também deveria se inserir no ambiente urbano
de Nova York, como uma continuação da rua, e ao mesmo
tempo ser uma paisagem de sonho", completa Rashid, que é
fã da arquitetura modernista brasileira outra referência
evidente no projeto. Desse conjunto de informações
resultou um espaço amplo (quase 400 metros quadrados), permeado
pelas formas amebóides de madeira (foi tudo construído
em Chicago e transportado de caminhão para Nova York). Miele
diz que investiu 700.000 dólares "Menos que o aluguel
e ponto de uma loja em um bom shopping de São Paulo", ressalta
na construção, que levou seis meses para ficar
pronta e se destaca na paisagem do Meatpacking District, próxima
às lojas de Stella McCartney e Alexander McQueen. Dinheiro,
que é bom, ainda não dá muito. "Por enquanto,
é meu cartão de visita. Embora as vendas estejam acima
da expectativa, retorno mesmo eu só espero para daqui a dois
anos", diz o estilista.
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