Edição 1822 . 1° de outubro de 2003

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Saúde
Dois remédios em um

Essa é a alternativa dos laboratórios
para evitar que os pacientes abandonem
o tratamento de doenças crônicas


Anna Paula Buchalla


Site VEJA Saúde

As pesquisas médicas das últimas décadas produziram tratamentos extraordinários para uma série de doenças. De distúrbios cardiovasculares a depressão e diabetes, as vítimas de males crônicos podem contar com remédios mais potentes e seguros. Mas convencer o paciente a tomá-los pelo resto da vida ainda é um desafio para os médicos e para a indústria farmacêutica. A taxa média de adesão aos tratamentos permanece incrivelmente baixa, como mostra um levantamento feito pela Organização Mundial de Saúde (veja quadro). Há duas razões básicas para isso. Em primeiro lugar, o custo dos remédios é elevado. Para se ter uma idéia, o tratamento à base de estatinas contra o colesterol alto não sai por menos de 70 reais por mês. O outro problema é que, não raro, o paciente tem de tomar vários remédios por dia, o que é uma chatice sem tamanho. E esse aborrecimento é um bom pretexto para que se abandone a prescrição médica.

A indústria farmacêutica começa a lançar mão de alternativas para facilitar a vida dos pacientes crônicos. O laboratório brasileiro Medley lançará em outubro o Prevencor, para prevenção de distúrbios cardiovasculares, que associa numa mesma embalagem ácido acetilsalicílico (o princípio ativo da Aspirina) e sinvastatina, um tipo de estatina. O principal atrativo dessa combinação é o preço. O tratamento à base de Zocor, nome comercial da sinvastatina simples, pode custar até 94 reais por mês. Isso somado a uma aspirina por dia eleva o preço do tratamento para cerca de 100 reais. O Prevencor custa bem menos do que isso: varia de 29 reais (10 miligramas) a 53 reais (40 miligramas).

Há novidades também para os diabéticos. Em novembro, chega ao mercado brasileiro o Avandamet, da Glaxo SmithKline, que combina duas substâncias para controle do diabetes tipo 2 em um único comprimido: uma que estimula a produção de insulina e outra que combate a resistência do organismo a esse hormônio. O preço, segundo o fabricante, será equivalente ao de apenas um dos dois medicamentos. Remédios combinados já vêm sendo utilizados com sucesso em outros campos, como no tratamento da asma. Uma droga que une um broncodilatador a um antiinflamatório sai em média 30% mais barato do que esses medicamentos em separado.

Uma das questões mais graves em relação ao abandono de um tratamento é o fato de que a interrupção pode agravar a doença. Um exemplo clássico é o da depressão. Suspender repentinamente a terapia aumenta o perigo de uma recaída. Para contornar o problema, o laboratório Deli Lilly lançou a versão semanal do antidepressivo Prozac. É uma vantagem e tanto para aqueles pacientes que estão com os sintomas de depressão estabilizados e precisam prosseguir com o tratamento por tempo indeterminado. No caso do colesterol alto, há indícios de que suspender abruptamente a ingestão de estatinas eleva ainda mais, em alguns pacientes, os níveis de LDL, o colesterol ruim.




Prevencor e Avandamet: terapias combinadas saem mais barato

 

 
 
 
 
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