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Saúde
Dois
remédios em um
Essa
é a alternativa dos laboratórios
para evitar que os pacientes abandonem
o tratamento de doenças crônicas

Anna
Paula Buchalla
As
pesquisas médicas das últimas décadas produziram
tratamentos extraordinários para uma série de doenças.
De distúrbios cardiovasculares a depressão e diabetes,
as vítimas de males crônicos podem contar com remédios
mais potentes e seguros. Mas convencer o paciente a tomá-los
pelo resto da vida ainda é um desafio para os médicos
e para a indústria farmacêutica. A taxa média
de adesão aos tratamentos permanece incrivelmente baixa,
como mostra um levantamento feito pela Organização
Mundial de Saúde (veja
quadro). Há duas razões básicas
para isso. Em primeiro lugar, o custo dos remédios é
elevado. Para se ter uma idéia, o tratamento à base
de estatinas contra o colesterol alto não sai por menos de
70 reais por mês. O outro problema é que, não
raro, o paciente tem de tomar vários remédios por
dia, o que é uma chatice sem tamanho. E esse aborrecimento
é um bom pretexto para que se abandone a prescrição
médica.
A
indústria farmacêutica começa a lançar
mão de alternativas para facilitar a vida dos pacientes crônicos.
O laboratório brasileiro Medley lançará em
outubro o Prevencor, para prevenção de distúrbios
cardiovasculares, que associa numa mesma embalagem ácido
acetilsalicílico (o princípio ativo da Aspirina) e
sinvastatina, um tipo de estatina. O principal atrativo dessa combinação
é o preço. O tratamento à base de Zocor, nome
comercial da sinvastatina simples, pode custar até 94 reais
por mês. Isso somado a uma aspirina por dia eleva o preço
do tratamento para cerca de 100 reais. O Prevencor custa bem menos
do que isso: varia de 29 reais (10 miligramas) a 53 reais (40 miligramas).
Há
novidades também para os diabéticos. Em novembro,
chega ao mercado brasileiro o Avandamet, da Glaxo SmithKline, que
combina duas substâncias para controle do diabetes tipo 2
em um único comprimido: uma que estimula a produção
de insulina e outra que combate a resistência do organismo
a esse hormônio. O preço, segundo o fabricante, será
equivalente ao de apenas um dos dois medicamentos. Remédios
combinados já vêm sendo utilizados com sucesso em outros
campos, como no tratamento da asma. Uma droga que une um broncodilatador
a um antiinflamatório sai em média 30% mais barato
do que esses medicamentos em separado.
Uma
das questões mais graves em relação ao abandono
de um tratamento é o fato de que a interrupção
pode agravar a doença. Um exemplo clássico é
o da depressão. Suspender repentinamente a terapia aumenta
o perigo de uma recaída. Para contornar o problema, o laboratório
Deli Lilly lançou a versão semanal do antidepressivo
Prozac. É uma vantagem e tanto para aqueles pacientes que
estão com os sintomas de depressão estabilizados e
precisam prosseguir com o tratamento por tempo indeterminado. No
caso do colesterol alto, há indícios de que suspender
abruptamente a ingestão de estatinas eleva ainda mais, em
alguns pacientes, os níveis de LDL, o colesterol ruim.


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| Prevencor
e Avandamet: terapias combinadas saem mais barato |
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