|
|
Dieta
Os
milionários do Atkins
Quem
investiu na dieta com menos
carboidratos e mais proteínas e
gorduras está rindo à toa: é um
mercado que fatura 10 bilhões de
dólares por ano nos Estados Unidos
A dieta
Atkins é mesmo de abrir o apetite: diferentemente dos regimes
de emagrecimento tradicionais, que exigem refeições
dignas de um faquir, sem gorduras nem proteínas, ela permite
o consumo de ovos, carnes e torresmo (não necessariamente
todos no mesmo prato). Em contrapartida, manda evitar os carboidratos
(pães, batata e massas). Só nos Estados Unidos, mais
de 25 milhões de pessoas, ou 12% da população
adulta, adotaram algum tipo de dieta com restrição
aos carboidratos nos últimos anos. O impacto da popularização
não se faz sentir apenas no negócio de dietas, mas
em toda a indústria de alimentos. A Federação
Britânica de Padeiros reclama que Atkins fez baixar as vendas
de pão na Inglaterra. O consumo de trigo, segundo a entidade,
caiu 4 quilos por pessoa nos últimos seis anos. A Unilever,
um dos cinco maiores fabricantes de alimentos do mundo, culpa a
dieta pela queda de 23% em seus lucros nos Estados Unidos. O prejuízo
ocorreu depois que a companhia comprou a Slim Fast, especializada
em produtos light e diet. A associação americana da
indústria da tortilla uma espécie de pão
de milho promoveu um seminário para debater a crise
nas vendas do produto e concluiu que a responsabilidade é
da dieta rica em proteínas. "É raríssimo uma
dieta ter algum impacto na economia americana. A do Atkins é
a exceção", disse Harry Balzer, autor do anuário
Eating Patterns in America, à revista americana Slate,
publicada na internet pela Microsoft.
O
que é mau negócio para uns significa oportunidade
para outros. O volume de carne vendido nos Estados Unidos cresceu
40% nos últimos dois anos criadores e açougueiros
agradecem a Atkins. Os lucros da indústria de produtos suínos
triplicaram no mesmo período. O negócio dos alimentos
com pouco carboidrato já é estimado em 10 bilhões
de dólares por ano nos Estados Unidos. É cedo para
saber se atingirá o tamanho da irmã mais velha, a
indústria americana de low-fat, que fatura três vezes
mais vendendo exatamente aqueles produtos sem gordura que a dieta
de Atkins despreza. Mas a venda de produtos com baixa quantidade
de carboidratos cresceu 60% no ano passado. A Anheuser-Busch, fabricante
americana de bebidas, já produz uma cerveja com menor quantidade
de carboidratos, a Michelob Ultra. São 2,6 gramas por garrafa,
10 gramas a menos que na cerveja comum. A canadense Keto Foods lançou
mais de oitenta produtos com restrição de carboidratos.
Há desde pacotes de macarrão, com 5 gramas de carboidratos
cada um, até sorvete de chocolate, com apenas 1 grama de
carboidrato por bola. O conceito foi criado pelo médico americano
Robert Atkins, que vendeu mais de 10 milhões de livros com
a dieta que leva seu nome desde a primeira edição,
em 1972. Ele morreu em abril, aos 72 anos, em decorrência
de uma queda no gelo. A Atkins Nutritionals, braço comercial
do legado do médico, faturou 100 milhões de dólares
no ano passado com a venda de noventa produtos com baixa quantidade
de carboidratos.
Muito
da popularidade da dieta decorre de estudos recentes que mostram
que, pelo menos durante um período, ela funciona e até
faz bem para a saúde. Outro fator é que pode ser seguida
com facilidade. A teoria de Atkins é que os carboidratos
ingeridos aumentam as taxas de açúcar no sangue e,
conseqüentemente, a produção do hormônio
insulina. Em excesso, a insulina faz com que o organismo retenha
mais gordura e aumente o tamanho das células adiposas. Ou
seja, resulta nos quilinhos a mais. Sem carboidratos para produzir
energia, o organismo queima gorduras para realizar essa tarefa.
Muitos médicos torcem o nariz. Acham que se alguém
emagrece com a dieta de Atkins é porque inadvertidamente
acaba consumindo menos calorias. Na verdade, o conceito já
ganhou vida própria. A Dieta de South Beach, versão
menos radical criada por um cardiologista americano, ultrapassou
recentemente o livro de Atkins na lista dos mais vendidos nos Estados
Unidos.



Foto divulgação/Claudio Pinheiro |
|