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Agências
Meia-volta, volver!
Projeto das agências reguladoras
não atende a
objetivo real do
governo nem do mercado
Sérgio Lima/Folha Imagem
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| A
ministra Dilma Rousseff, das Minas e Energia: mais poder para
os ministérios |
Na
semana passada, o governo deu marcha a ré num tema decisivo
para o progresso brasileiro. Divulgou sua proposta para remodelar
as agências reguladoras, entidades que, criadas no governo
anterior, têm total independência para disciplinar e
fiscalizar setores antes comandados por estatais, como energia,
transporte e telefonia. A proposta, que levou sete meses para ser
concebida e ficará em debate por apenas alguns dias antes
de ser enviada ao Congresso, introduz duas mudanças relevantes.
Cria a figura do "ouvidor", um funcionário nomeado pelo presidente
da República que ficará encarregado de fiscalizar
as agências, mais ou menos como um espião do governo
dentro de um órgão supostamente independente. Além
disso, o governo propõe transferir aos respectivos ministérios
a atribuição de convocar licitações
e conceder serviços papel hoje exercido pelas agências
de cada área. "O ministério é que definirá,
por exemplo, as linhas que devem ser licitadas primeiro", diz a
ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff. É um retrocesso.
O governo quer "fiscalizar" um órgão independente
de fiscalização para submetê-lo a seus interesses.
As agências dificultam o intuito do PT de se infiltrar na
máquina do Estado e decidir o que fazer a respeito de tudo.
O remédio encontrado é essa tentativa de podar as
asas das agências.
Desde o início, o governo petista apontou a mira contra as
agências reguladoras. "Terceirizaram o poder político
no Brasil", chegou a reclamar o presidente Lula. Temia-se, portanto,
que a proposta do governo fosse esvaziar por completo as agências
mas não foi o que aconteceu. A idéia é
tutelá-las um pouco, mas mantendo-as numa faixa de relativa
liberdade. Algo que não dê muito na vista. O problema
é que, com isso, o governo não atinge nem seu objetivo
oculto que é, no fundo, acabar com essa história
de poder político terceirizado nem o objetivo público:
gerar segurança aos investidores. Quem tem dinheiro para
investir deseja conhecer o que se chama de "marco regulatório",
ou seja, as regras do jogo. Quando os ministérios retomam
a tarefa de definir licitações e serviços,
a segurança vai por água abaixo, já que ministros
são trocados a toda hora e, pior que isso, o partido governante
e a alta burocracia tendem a usar a máquina do Estado em
seu próprio interesse de preservação. "Isso
pode afugentar os investidores", alerta o deputado Eliseu Resende,
relator do projeto de criação da maioria das agências.
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