A General(The General,
Estados Unidos, 1927. Videofilmes) Recusado como soldado
pelos sulistas, um rapaz decide vencer a guerra civil americana
sozinho ou, mais precisamente, com a ajuda de sua locomotiva,
a General do título. Seguem-se algumas das mais brilhantes
cenas de ação e comédia já feitas
no cinema. E feitas na raça, com os mínimos
recursos disponíveis na década de 20
os quais Buster Keaton, o comediante que nunca sorria (nunca,
em hipótese nenhuma) e que desde a primeira infância
realizava peripécias arriscadíssimas junto com
os pais, no teatro de variedades, dominava como ninguém.
Para mudar a opinião de quem acha que cinema mudo é
coisa só para historiador ou aficionado.
O Homem que
Fazia Chover (The Rainmaker, Estados Unidos, 1997.
Paramount) Francis Ford Coppola fez O Poderoso Chefão,
fez Apocalypse Now, fez O Selvagem da Motocicleta
(arre, essas traduções...) e então,
na última década, não fez absolutamente
nada além de cuidar de seu vinhedo. Enquanto se aguarda
que Youth without Youth, pequeno filme que ele completou
há pouco, obtenha distribuição, é
o caso de rever seu último trabalho, de preferência
acompanhado da trilha de comentários. Além de
ser um dos mais extraordinários diretores que o cinema
americano já teve, Coppola é um ótimo
contador de casos e um crítico franco de seus próprios
filmes que, no caso, admite ter se divertido muito
na tentativa de fazer uma história de tribunal à
la mode, adaptada de John Grisham.
DISCOS
Divulgação
Alcantara: um Beethoven
intrigante
Beethoven
Diabelli Variations,Marco Alcantara (Sui
Generis) Em 1819, o compositor Anton Diabelli enviou
a vários colegas seus um pequeno tema, para que fossem
feitas variações. Beethoven escreveu a sua,
mas ficou intrigado com as possibilidades que poderiam surgir
desse trabalho. O compositor acabou por criar sua maior peça
para o piano, composta de 33 variações que vão
da paródia à força e energia que lhe
são típicas. Um pouco difícil de digerir
numa primeira audição, mas muito rica para um
ouvido atento às reinvenções de Beethoven,
a gravação de Marco Alcantara utiliza uma afinação
especial para o piano, que dá mais cor ao fraseado.
Inclui também uma interpretação de rascunhos
das variações inédita em disco.
Estação
Melodia,Luiz
Melodia (Biscoito Fino) O cantor e compositor Luiz
Melodia se utiliza da voz singular para interpretar composições
dos grandes sambistas das décadas de 30 a 50 em seu
novo disco, seu primeiro lançamento em oito anos. Com
arranjos simples, que dão destaque ao seu timbre cheio,
ele homenageia seu pai, Oswaldo Melodia, nas canções
Não Me Quebro à Toa e Linda Tereza.
Faz tributos também a Cartola (Tive Sim) e a
Jamelão e Mestre Gato (Eu Agora Sou Feliz),
entre outros. Trata-se de uma volta oportuna àquele
samba melodioso que falava de cotidiano, de amor e de desilusão.
Melodia assina apenas uma faixa no álbum: Nós
Dois, em parceria com Renato Piau.
LIVROS
A
Cada um o Seu,
de Leonardo Sciascia (tradução de Nilson Moulin;
Objetiva/Alfaguara; 136 páginas; 26,90 reais)
Um dos maiores escritores italianos do século XX, Leonardo
Sciascia (1921-1989) retratou, sem piedade, a corrupção
política de sua terra natal, a Sicília. Foi
um mestre sobretudo em romances policiais que desvelam a violência
cotidiana da ilha onde nasceu a Máfia. A Cada um
o Seu é uma de suas melhores realizações
no gênero. No início do livro, o farmacêutico
de um vilarejo pacato recebe uma carta anônima com uma
ameaça sucinta: "Você vai morrer pelo que fez".
Ele não dá muita atenção ao caso
mas, no dia seguinte, é assassinado junto com
um amigo com quem saiu para caçar. Leia
trecho.
Divulgação
Havelange: ele leu,
não gostou de tudo, mas não vetou
Jogo Duro,
de Ernesto Rodrigues (Record; 420 páginas; 56 reais)
Eleito presidente da Federação Internacional
de Futebol (Fifa) em 1974, o brasileiro João Havelange
permaneceu no cargo por 24 anos. Revolucionou a entidade,
ampliando seu patrimônio para a casa dos bilhões
de dólares e incluindo países da África
e da Ásia nas Copas do Mundo. Sua trajetória,
porém, foi marcada pela controvérsia. Os modos
autocráticos de Havelange desagradaram a muita gente,
e ele se envolveu em polêmicas com figurões da
bola, como Pelé e Maradona. O jornalista Ernesto Rodrigues
autor de Ayrton, o Herói Revelado, biografia
do piloto Ayrton Senna reconstitui a trajetória
de Havelange. É um livro essencial não só
para os fãs do futebol, mas também para quem
deseja entender melhor a política que envolve o esporte.
O presidente da Fifa, afinal, sempre esteve próximo
dos poderosos. Rodrigues conta, por exemplo, que Havelange
intercedeu junto ao presidente João Figueiredo
sem sucesso para liberar verbas para a construção
da Linha Vermelha, no Rio de Janeiro. Figueiredo não
queria ajudar o governador Leonel Brizola, seu inimigo político.
Em tempo: Havelange, hoje com 91 anos, teve acesso ao texto
antes da publicação. Não gostou de tudo
o que leu. Mas esta é uma biografia que não
corre o risco de ser proibida judicialmente. Leia
trecho.