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1º de agosto de 2007
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FILMES

A General (The General, Estados Unidos, 1927. Videofilmes) – Recusado como soldado pelos sulistas, um rapaz decide vencer a guerra civil americana sozinho – ou, mais precisamente, com a ajuda de sua locomotiva, a General do título. Seguem-se algumas das mais brilhantes cenas de ação e comédia já feitas no cinema. E feitas na raça, com os mínimos recursos disponíveis na década de 20 – os quais Buster Keaton, o comediante que nunca sorria (nunca, em hipótese nenhuma) e que desde a primeira infância realizava peripécias arriscadíssimas junto com os pais, no teatro de variedades, dominava como ninguém. Para mudar a opinião de quem acha que cinema mudo é coisa só para historiador ou aficionado.

O Homem que Fazia Chover (The Rainmaker, Estados Unidos, 1997. Paramount) – Francis Ford Coppola fez O Poderoso Chefão, fez Apocalypse Now, fez O Selvagem da Motocicleta (arre, essas traduções...) – e então, na última década, não fez absolutamente nada além de cuidar de seu vinhedo. Enquanto se aguarda que Youth without Youth, pequeno filme que ele completou há pouco, obtenha distribuição, é o caso de rever seu último trabalho, de preferência acompanhado da trilha de comentários. Além de ser um dos mais extraordinários diretores que o cinema americano já teve, Coppola é um ótimo contador de casos e um crítico franco de seus próprios filmes – que, no caso, admite ter se divertido muito na tentativa de fazer uma história de tribunal à la mode, adaptada de John Grisham.

 

DISCOS

 
Divulgação
Alcantara: um Beethoven intrigante

Beethoven – Diabelli Variations, Marco Alcantara (Sui Generis) – Em 1819, o compositor Anton Diabelli enviou a vários colegas seus um pequeno tema, para que fossem feitas variações. Beethoven escreveu a sua, mas ficou intrigado com as possibilidades que poderiam surgir desse trabalho. O compositor acabou por criar sua maior peça para o piano, composta de 33 variações que vão da paródia à força e energia que lhe são típicas. Um pouco difícil de digerir numa primeira audição, mas muito rica para um ouvido atento às reinvenções de Beethoven, a gravação de Marco Alcantara utiliza uma afinação especial para o piano, que dá mais cor ao fraseado. Inclui também uma interpretação de rascunhos das variações inédita em disco.

Estação Melodia, Luiz Melodia (Biscoito Fino) – O cantor e compositor Luiz Melodia se utiliza da voz singular para interpretar composições dos grandes sambistas das décadas de 30 a 50 em seu novo disco, seu primeiro lançamento em oito anos. Com arranjos simples, que dão destaque ao seu timbre cheio, ele homenageia seu pai, Oswaldo Melodia, nas canções Não Me Quebro à Toa e Linda Tereza. Faz tributos também a Cartola (Tive Sim) e a Jamelão e Mestre Gato (Eu Agora Sou Feliz), entre outros. Trata-se de uma volta oportuna àquele samba melodioso que falava de cotidiano, de amor e de desilusão. Melodia assina apenas uma faixa no álbum: Nós Dois, em parceria com Renato Piau.

 

LIVROS

A Cada um o Seu, de Leonardo Sciascia (tradução de Nilson Moulin; Objetiva/Alfaguara; 136 páginas; 26,90 reais) – Um dos maiores escritores italianos do século XX, Leonardo Sciascia (1921-1989) retratou, sem piedade, a corrupção política de sua terra natal, a Sicília. Foi um mestre sobretudo em romances policiais que desvelam a violência cotidiana da ilha onde nasceu a Máfia. A Cada um o Seu é uma de suas melhores realizações no gênero. No início do livro, o farmacêutico de um vilarejo pacato recebe uma carta anônima com uma ameaça sucinta: "Você vai morrer pelo que fez". Ele não dá muita atenção ao caso – mas, no dia seguinte, é assassinado junto com um amigo com quem saiu para caçar. Leia trecho.

 
Divulgação
Havelange: ele leu, não gostou de tudo, mas não vetou

Jogo Duro, de Ernesto Rodrigues (Record; 420 páginas; 56 reais) – Eleito presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em 1974, o brasileiro João Havelange permaneceu no cargo por 24 anos. Revolucionou a entidade, ampliando seu patrimônio para a casa dos bilhões de dólares e incluindo países da África e da Ásia nas Copas do Mundo. Sua trajetória, porém, foi marcada pela controvérsia. Os modos autocráticos de Havelange desagradaram a muita gente, e ele se envolveu em polêmicas com figurões da bola, como Pelé e Maradona. O jornalista Ernesto Rodrigues – autor de Ayrton, o Herói Revelado, biografia do piloto Ayrton Senna reconstitui a trajetória de Havelange. É um livro essencial não só para os fãs do futebol, mas também para quem deseja entender melhor a política que envolve o esporte. O presidente da Fifa, afinal, sempre esteve próximo dos poderosos. Rodrigues conta, por exemplo, que Havelange intercedeu junto ao presidente João Figueiredo – sem sucesso – para liberar verbas para a construção da Linha Vermelha, no Rio de Janeiro. Figueiredo não queria ajudar o governador Leonel Brizola, seu inimigo político. Em tempo: Havelange, hoje com 91 anos, teve acesso ao texto antes da publicação. Não gostou de tudo o que leu. Mas esta é uma biografia que não corre o risco de ser proibida judicialmente. Leia trecho.

 

 

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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