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Guia
O que fazer com
o seu dinheiro
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RF, CDB, ADR e
LFT são algumas das centenas de siglas pelas
quais são conhecidos os papéis e fundos de investimento
que deixaram de fazer parte exclusivamente do universo de
especialistas em finanças para ingressar na vida de
pessoas que entendem pouco (ou nada) de economia.

Monica Weinberg
O interesse por siglas
e jargões do mundo financeiro deve-se a alguns fatos
recentes. Primeiro, nunca investir em ações
na bolsa deu tanto lucro a quem apostou dinheiro lá:
a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já
se valorizou 350% desde 2003. Em segundo lugar, a variedade
de opções em que investir cresceu em ritmo acelerado.
Só de fundos, são 6 762, 37% mais que há
quatro anos. Por fim, ficou mais fácil aplicar o próprio
dinheiro. Do computador de casa é possível manter-se
informado sobre os pregões e comprar e vender ações
por meio do home broker, sistema da Bovespa que está
disponível na internet e já representa 27% dos
negócios da bolsa e só aumenta. Especialistas
ouvidos por VEJA analisaram os principais investimentos disponíveis.
Eles fizeram comparações entre os de perfil
mais conservador e outros indicados a quem gosta (e pode)
correr mais riscos. Eis as avaliações.
Fundo de renda fixa ou variável?
RENDA FIXA
O que é:
carteira de títulos públicos federais e
privados, de empresas e bancos, cuja rentabilidade é
preestabelecida
Como investir: escolha um fundo no banco em que tem
conta ou procure uma corretora. Saiba que todo ano serão
debitados de 2% a 5% do total investido taxa cobrada
pela administração do investimento
Risco, segundo os especialistas: baixo
Aplicação mínima*: 200 reais
Situação atual: o rendimento médio
foi de 13% no ano passado, e o lucro real (descontadas a inflação,
a taxa de administração do fundo e o imposto
de renda) ficou em 5%. Dizem os especialistas que, com a queda
na taxa de juro, a tendência é que esses fundos
se tornem menos atraentes até o fim do ano
*A aplicação mínima expressa
a média do mercado
RENDA VARIÁVEL
O que é:
carteira de ações cujo valor varia de acordo
com a oferta e a demanda do mercado
Como investir: por meio do banco em que se tem conta
ou de uma corretora. A taxa de administração
anual é de cerca de 2% do total investido
Risco, segundo os especialistas: médio
Aplicação mínima: 500 reais
Situação atual: com a estabilidade da
economia brasileira verificada hoje, a ausência de sinais
de crise mundial e a iminência de o Brasil receber o
investment grade (título concedido às economias
consideradas sólidas), a tendência é que
o valor das ações continue a subir. Os papéis
da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já
se valorizaram 22% em 2007
Comentário
dos especialistas: como a situação da bolsa
nunca foi tão boa, mesmo os mais conservadores devem
cogitar mesclar o investimento, de modo a manter a maior parte
do dinheiro no fundo de renda fixa e apostar uma parcela menor
em ações, sempre com a consultoria de alguém
de confiança e ciente dos riscos
Tesouro direto ou
home broker?
TESOURO DIRETO
O que é:
serviço do Tesouro Nacional que permite comprar
por meio da internet seis tipos de papel do governo federal.
São títulos emitidos com a finalidade de financiar
o déficit do governo. O rendimento pode variar de acordo
com a inflação e a taxa de juro ou ser preestabelecido
Como investir: cadastre-se numa corretora há
uma lista delas no site www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto.
Ela será a intermediária na compra dos papéis.
Entre taxas de administração e impostos, gasta-se
em média 1% do total investido ao ano (há quem
cobre mais, mas fuja deles)
Risco, segundo os especialistas: baixo
Aplicação mínima: 200 reais
Situação atual: como não há
indícios de um calote na dívida pública,
esses são papéis de baixo risco, com a mesma
rentabilidade dos fundos de renda fixa e uma vantagem em relação
a eles: as taxas cobradas sobre o investimento caem à
metade
HOME BROKER
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Free
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O que é:
sistema da Bovespa que permite a pessoas físicas
sozinhas ou como parte de um clube de investidores
(veja na pág. 126)
comprar e vender ações por meio da internet
Como investir: é preciso abrir uma conta numa
corretora ou cadastrar-se para o uso do sistema em um banco
em que se é correntista. Os sites fornecem informações
sobre o andamento do pregão, gráficos e análises
do mercado. Alguns oferecem ainda consultoria de investimentos
por meio de chats ou telefone. A taxa de corretagem varia:
pode ser fixa (cerca de 20 reais por transação)
ou um porcentual do valor da operação (em média
0,5% do total investido)
Risco, segundo os especialistas: alto
Aplicação mínima: 4 000 reais
Situação atual: com a bolsa em alta
e a previsão de que fique assim pelo menos até
o fim do ano, entre todos os investimentos disponíveis
esse é o que tem resultado em mais lucro
Comentário
dos especialistas: entre os dois tipos de investimento
que se fazem do computador de casa, os papéis do Tesouro
são de longe os mais seguros. Com o ótimo momento
da bolsa, no entanto, o home broker vale a pena, sim, mas
exige dedicação e visão de longo prazo
do investidor às vezes, as ações
despencam do dia para a noite e tempos depois voltam a subir
Quando vale a pena
investir em poupança
Especialistas pesaram
os prós e os contras e chegaram às seguintes
conclusões:
Stone/Getty Image
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Vantagem: continua a ser o mais seguro e simples de todos
os investimentos (quem investiu nela assustou-se apenas uma
vez, com o confisco promovido pelo presidente Fernando Collor
de Mello, em 1990)
Desvantagem:
de todos os investimentos, é o que oferece a menor
rentabilidade de apenas 6% ao ano. Mas isso tende a
mudar. Com a taxa de juro em queda, os demais fundos de renda
fixa ficarão menos atraentes e devem chegar ao mesmo
patamar da poupança
Conclusão
dos especialistas: sendo um investimento, é ainda
o mais indicado a quem deseja fazer uso do dinheiro num futuro
longínquo e não tem aptidão nem
tempo para manter fundos que exigem maior dedicação
do investidor
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