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1º de agosto de 2007
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O que fazer com
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Getty Images/Royalty Free

RF, CDB, ADR e LFT são algumas das centenas de siglas pelas quais são conhecidos os papéis e fundos de investimento que deixaram de fazer parte exclusivamente do universo de especialistas em finanças para ingressar na vida de pessoas que entendem pouco (ou nada) de economia.


Monica Weinberg

O interesse por siglas e jargões do mundo financeiro deve-se a alguns fatos recentes. Primeiro, nunca investir em ações na bolsa deu tanto lucro a quem apostou dinheiro lá: a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já se valorizou 350% desde 2003. Em segundo lugar, a variedade de opções em que investir cresceu em ritmo acelerado. Só de fundos, são 6 762, 37% mais que há quatro anos. Por fim, ficou mais fácil aplicar o próprio dinheiro. Do computador de casa é possível manter-se informado sobre os pregões e comprar e vender ações por meio do home broker, sistema da Bovespa que está disponível na internet e já representa 27% dos negócios da bolsa – e só aumenta. Especialistas ouvidos por VEJA analisaram os principais investimentos disponíveis. Eles fizeram comparações entre os de perfil mais conservador e outros indicados a quem gosta (e pode) correr mais riscos. Eis as avaliações.


Fundo de renda fixa ou variável?

RENDA FIXA

O que é: carteira de títulos públicos federais e privados, de empresas e bancos, cuja rentabilidade é preestabelecida
Como investir: escolha um fundo no banco em que tem conta ou procure uma corretora. Saiba que todo ano serão debitados de 2% a 5% do total investido – taxa cobrada pela administração do investimento
Risco, segundo os especialistas: baixo
Aplicação mínima*: 200 reais
Situação atual: o rendimento médio foi de 13% no ano passado, e o lucro real (descontadas a inflação, a taxa de administração do fundo e o imposto de renda) ficou em 5%. Dizem os especialistas que, com a queda na taxa de juro, a tendência é que esses fundos se tornem menos atraentes até o fim do ano

*A aplicação mínima expressa a média do mercado


RENDA VARIÁVEL

O que é: carteira de ações cujo valor varia de acordo com a oferta e a demanda do mercado
Como investir: por meio do banco em que se tem conta ou de uma corretora. A taxa de administração anual é de cerca de 2% do total investido
Risco, segundo os especialistas: médio
Aplicação mínima: 500 reais
Situação atual: com a estabilidade da economia brasileira verificada hoje, a ausência de sinais de crise mundial e a iminência de o Brasil receber o investment grade (título concedido às economias consideradas sólidas), a tendência é que o valor das ações continue a subir. Os papéis da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já se valorizaram 22% em 2007

Comentário dos especialistas: como a situação da bolsa nunca foi tão boa, mesmo os mais conservadores devem cogitar mesclar o investimento, de modo a manter a maior parte do dinheiro no fundo de renda fixa e apostar uma parcela menor em ações, sempre com a consultoria de alguém de confiança – e ciente dos riscos

 

Tesouro direto ou home broker?

TESOURO DIRETO

O que é: serviço do Tesouro Nacional que permite comprar por meio da internet seis tipos de papel do governo federal. São títulos emitidos com a finalidade de financiar o déficit do governo. O rendimento pode variar de acordo com a inflação e a taxa de juro ou ser preestabelecido
Como investir: cadastre-se numa corretora – há uma lista delas no site www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto. Ela será a intermediária na compra dos papéis. Entre taxas de administração e impostos, gasta-se em média 1% do total investido ao ano (há quem cobre mais, mas fuja deles)
Risco, segundo os especialistas: baixo
Aplicação mínima: 200 reais
Situação atual: como não há indícios de um calote na dívida pública, esses são papéis de baixo risco, com a mesma rentabilidade dos fundos de renda fixa e uma vantagem em relação a eles: as taxas cobradas sobre o investimento caem à metade

 

HOME BROKER

Photodisc/Getty Images/Royalty Free

O que é: sistema da Bovespa que permite a pessoas físicas – sozinhas ou como parte de um clube de investidores (veja na pág. 126) – comprar e vender ações por meio da internet
Como investir: é preciso abrir uma conta numa corretora ou cadastrar-se para o uso do sistema em um banco em que se é correntista. Os sites fornecem informações sobre o andamento do pregão, gráficos e análises do mercado. Alguns oferecem ainda consultoria de investimentos por meio de chats ou telefone. A taxa de corretagem varia: pode ser fixa (cerca de 20 reais por transação) ou um porcentual do valor da operação (em média 0,5% do total investido)
Risco, segundo os especialistas: alto
Aplicação mínima: 4 000 reais
Situação atual: com a bolsa em alta e a previsão de que fique assim pelo menos até o fim do ano, entre todos os investimentos disponíveis esse é o que tem resultado em mais lucro

Comentário dos especialistas: entre os dois tipos de investimento que se fazem do computador de casa, os papéis do Tesouro são de longe os mais seguros. Com o ótimo momento da bolsa, no entanto, o home broker vale a pena, sim, mas exige dedicação e visão de longo prazo do investidor – às vezes, as ações despencam do dia para a noite e tempos depois voltam a subir

 

Quando vale a pena investir em poupança

Especialistas pesaram os prós e os contras e chegaram às seguintes conclusões:

Stone/Getty Image


Vantagem:
continua a ser o mais seguro e simples de todos os investimentos (quem investiu nela assustou-se apenas uma vez, com o confisco promovido pelo presidente Fernando Collor de Mello, em 1990)

Desvantagem: de todos os investimentos, é o que oferece a menor rentabilidade – de apenas 6% ao ano. Mas isso tende a mudar. Com a taxa de juro em queda, os demais fundos de renda fixa ficarão menos atraentes e devem chegar ao mesmo patamar da poupança

Conclusão dos especialistas: sendo um investimento, é ainda o mais indicado a quem deseja fazer uso do dinheiro num futuro longínquo – e não tem aptidão nem tempo para manter fundos que exigem maior dedicação do investidor

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