Pires passa o cargo a Jobim:
o novo ministro da Defesa tem "carta branca" para resolver
a crise. Que tal usá-la para contratar uma consultoria
externa?
Entre centenas de
mortos, alguns feridos, milhares de passageiros revoltados
e milhões de cidadãos assustados, o governo
finalmente reconheceu a existência do caos aéreo
no Brasil. Para começar a dissipar as nuvens pesadas
no horizonte da aviação, o presidente Lula colocou
Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, à
frente do Ministério da Defesa, em substituição
a Waldir Pires. O novo ocupante da pasta, que terá
sob sua responsabilidade tanto a Aeronáutica quanto
a Infraero, reconheceu de pronto que havia falta de comando
na gestão da crise e que era necessário agir
rápido para acabar com ela. Jobim afirmou, também,
que tinha recebido "carta branca" do Planalto para cumprir
sua missão. O discurso forte de Jobim tenta eliminar
a impressão generalizada e compreensível
de que o governo, outra vez, ficará apenas no
blablablá. VEJA, evidentemente, torce para que o ministro
tenha êxito. Só os mal-intencionados não
gostariam de assistir ao seu sucesso na recuperação
da segurança do sistema aéreo brasileiro.
VEJA, no entanto,
se propõe a ir além da torcida. Quer dar uma
contribuição, ainda que modesta. Ela está
na reportagem
que os leitores encontram nesta edição. Os repórteres
Duda Teixeira e Rosana Zakabi mostram que recorrer a consultorias
externas, para resolver nós em aviação,
é um procedimento que já foi adotado em diversos
países inclusive aqueles com um grau superior
de desenvolvimento, casos de Suíça e Áustria.
As empresas especializadas no assunto, além de know-how,
contam com técnicos imparciais. Sem ligações
formais com este ou aquele órgão (ou informais
com esta ou aquela companhia), eles não têm por
que esconder ou amenizar as falhas encontradas. É preciso
analisar com frieza os problemas na malha aérea e na
estrutura aeroportuária nacionais, a fim de que as
soluções sejam visíveis quanto antes.
Não há motivo, portanto, para que se elimine
a possibilidade de contratar os serviços de profissionais
estrangeiros. O nacionalismo, aqui, é apenas o refúgio
dos irresponsáveis.