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Leitor
O recado dos cidadãos As reportagens "À
sombra da Constituição" e "Com o rei
na barriga" (24 de junho) são verdadeiras aulas
de cidadania ao presidente Lula e aos nossos parlamentares.
Estou de alma lavada. VEJA instiga os
brasileiros a tomar conta de sua propriedade, enaltecendo
o artigo 5º da Constituição. Somos um povo
que não tarde dará sua resposta a esses oportunistas. A capa de VEJA destacando
o artigo 5º da Constituição dá voz
a milhões de brasileiros que, indignados, se envergonham
daqueles que deveriam representá-los com honradez. Criado como prerrogativa
de defesa e preservação funcional de autoridade,
do direito de expressão parlamentar, o foro privilegiado
tornou-se o tapete para debaixo do qual se varrem crimes de
responsabilidade e crimes comuns. É uma afronta ao
artigo 5º da Constituição. VEJA tira as palavras
da boca dos brasileiros de bem, que estão vendo o país
ir para o buraco moral e ético nas mãos de um
grupo que descamba para o desrespeito às leis e aos
princípios da moralidade. Isso é uma ditadura
da classe que pensa estar acima das leis. Quando o marquês
de Pombal extinguiu as capitanias hereditárias, não
imaginaria que aquela do Maranhão resistiria, com o
donatário José Sarney. Não satisfeito,
ele a estendeu ao Amapá e ao Senado Federal. Uma só palavra
define o discurso recente e ridículo do presidente
do Senado: patético. Como pode falar em biografia e
serviços prestados ao país um indivíduo
o maior nomeador de apadrinhados do planeta
que em quinze anos de comando total do Senado e meio século
da Capitania Hereditária do Maranhão manteve
o estado na mais ampla condição de miséria,
o que o classifica desde sempre como o mais atrasado e miserável
do Brasil? Falta de espelho em casa dá nisso! Há pouco
tempo me perguntei onde estariam aqueles estudantes, artistas,
juristas, intelectuais, médicos, arquitetos, trabalhadores
em geral que saíram ombro a ombro em passeata contra
a ditadura em 1968. Caladinhos ou no governo. Na época,
eles escreveram uma bela página da história
brasileira. Hoje, VEJA faz um chamamento imperdível
para uma nova união entre as classes sociais. Uma luta
contra a impunidade. Vou além: contra a corrupção
também. Acorda, Brasil! Lula, hoje, encabrestado
pelos piores personagens da política nacional, sente-se
feliz puxando, sob os aplausos de 80% da população
brasileira, a pesada carroça da falta de ética,
do fisiologismo e da corrupção. "Lula
adotou o bordão usado pelo porco político Squealer
em A Revolução dos Bichos, de George
Orwell: Todos os animais são iguais, mas uns
são mais iguais que outros."
Guido Mantega A despeito de o
ministro Guido Mantega (Entrevista, 24 de junho) ter toda
a razão no que se refere à maneira resoluta
e confiante como o país vem lidando com a séria
crise financeira, não procede dizer que foi depois
de o petismo chegar ao governo, em 2003, que o Brasil cresceu
sustentavelmente. O Plano Real, afinal de contas, é
de quando? Lula tem méritos por haver conseguido consolidar
as conquistas do antecessor, mas não descobriu a roda.
O ministro mandou
um recado direto para Lula ao afirmar que quem disser que
esta crise não foi o maior "stress test"
do século estará mentindo ou desinformado. Fico
com a primeira hipótese para o seu chefão, pois
a mentira continua sendo a principal arma deste desgoverno.
Meio ambiente Parabenizo a revista
VEJA pela reportagem "O desafio de crescer e preservar"
(24 de junho). Informações de primeira, imparcialidade
e clareza na exposição das ideias. Aliás,
como já havia ocorrido na reportagem "A melhor
amiga do homem" (17 de junho). Apesar da relevância
do tema, as discussões em torno da sustentabilidade
socioambiental não têm se desenvolvido de forma
muito sustentável. O radicalismo tem ocupado boa parte
dos espaços, tanto do lado de produtores rurais quanto
do lado de ONGs ambientalistas. O festival de baboseiras e
ideias estapafúrdias ganha o reforço de artistas
globais e de pseudointelectuais, e aí há pouco
que aproveitar. No meio disso tudo, foi bastante reconfortante
ler as últimas duas edições de VEJA.
Parece que ainda existe espaço para um debate construtivo,
que é o que o país precisa. Em relação
à reportagem "O desafio de crescer e preservar"
(24 de junho), um reparo: não é verdade que
concordei em liberar a licença ambiental da BR-319
(Porto Velho-Manaus). Um grupo de trabalho, com ministérios,
estados e a Universidade Federal do Amazonas, criou dez condições
ambientais prévias para o licenciamento, as mais rigorosas
já existentes para a liberação de uma
estrada, como a implantação de 10 milhões
de hectares de unidades de conservação, federais
e estaduais, seis barreiras do Exército e três
da Marinha, a demarcação física de 22
parques e a existência de fiscais na região.
O que houve foi uma pressão para que saísse
a licença prévia antes que esse conjunto de
exigências fosse atendido. E a posição
do Ministério do Meio Ambiente sobre o assunto é
clara: julgamos que uma hidrovia modernizada seria a solução
de menor impacto, mas a licença ambiental da BR-319
não será concedida se todas as dez condicionantes
não forem previamente atendidas pelo empreendedor. Na reportagem "O
desafio de crescer e preservar" há a afirmação
de que uma ferrovia custaria 60% mais do que a pavimentação
da Rodovia BR-319, e de que um estudo da ONG Greenpeace mostra
que só a inibição do desmatamento, se
convertida em recursos no ativo mercado de crédito
de carbono, compensaria com sobra essa diferença em
favor da ferrovia. O que o estudo da ONG Greenpeace diz é
mentira, uma vez que a rodovia está aberta em toda
a sua faixa de domínio e, portanto, não há
esse crédito de carbono. Outro ponto a ser esclarecido
é com relação à última
nota do quadro "Quem está certo", que diz
que as estradas são indutoras de desmatamento. Não
no caso da BR-319, já que foram criadas áreas
de proteção ambiental, e estão em fase
de demarcação 12,5 milhões de hectares,
selando toda a área ao longo da rodovia.
Baderna na USP Quem estudou em
universidade pública sabe muito bem o que acontece
hoje na USP. Sabe o tipo de gente envolvida, sabe do que são
capazes. Poucos mereciam ser chamados de estudantes. Muitos
completaram uma década matriculados e nem se sabe se
chegaram a concluir o curso. Uma minoria de estudantes que
não estudam impõe no grito a sua vontade à
maioria silenciosa ("O que move a greve na USP",
24 de junho). Felizmente esse
pequeno grupo de baderneiros não conseguiu mudar a
imagem da melhor universidade do país. Minha filha,
aluna do curso de medicina, assim como muitos colegas, vai
à universidade para estudar e futuramente aplicar o
que aprendeu. Meu marido, professor na USP, a exemplo de muitos
outros professores, continua dando aulas àqueles que
vão até lá para aprender. Não
é justo que essa minoria perturbe os que querem estudar
e ensinar. Como docente da
USP, concordo em grande parte com o exposto na reportagem
"O que move a greve na USP". Entretanto, vale ressaltar
que há relativo consenso na comunidade uspiana no que
diz respeito à ampliação da discussão
em torno da representatividade e descentralização
administrativa. Quanto à posição da USP
no cenário acadêmico nacional e internacional,
ainda há muito por fazer, mas a "tragédia"
foi superdimensionada. Segundo o National Science Indicators,
entre 180 nações pesquisadas, o Brasil é
o 13º país em produção científica,
estando na frente de Holanda e Rússia.
Diploma de jornalista Sou jornalista e
não defendo a obrigatoriedade do diploma para o exercício
da profissão, em razão do contexto e dos propósitos
que cercaram a criação de tal exigência
no passado e da ideia de reserva de mercado que pode sugerir
atualmente. Mas defendo, com veemência, a necessidade
de formação específica para ser um jornalista,
tanto do ponto de vista técnico quanto do humanístico.
Dizer que pessoas de qualquer outro campo do conhecimento
trariam maior qualidade para as redações, convenhamos,
é um exagero.
Portal da transparência em São Paulo A prefeitura de
São Paulo dá um bom exemplo de transparência
ao divulgar as suas despesas em um portal da internet ("A
locomotiva dá o exemplo", 24 de junho). É
preciso divulgar com o máximo de detalhamento os gastos
públicos, como no caso em que foram divulgados os vencimentos
integrais dos servidores, incluindo benefícios e gratificações,
a fim de que não ocorra o triste e preocupante exemplo
de Santa Catarina, onde cidadão e instituições
vêm tendo dificuldade em elucidar por completo um mistério
dos mais persistentes: quanto ganham exatamente os coronéis
da Polícia Militar. Se já é difícil
para o cidadão saber qual a função de
certas figuras do serviço público, pelo menos
que se saiba quanto recebem.
A vaca A reportagem "A
melhor amiga do homem" (17 de junho) diz que o professor
"José Fernando Garcia coordenou a equipe científica
brasileira que participou do sequenciamento do genoma da vaca,
concluído em abril passado". No sequenciamento
e na anotação do genoma bovino trabalharam duas
equipes brasileiras: uma coordenada pelo professor Garcia
e outra coordenada pelo doutor Alexandre Rodrigues Caetano,
da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Correção: na última edição de VEJA, os procuradores da República Rodrigo Timóteo ("O desafio de crescer e preservar"), Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb (Datas, 24 de junho), membros do Ministério Público Federal, foram erroneamente identificados como procuradores federais.
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