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Uma união
turbulenta
Prejuízo
bilionário da AOL Time Warner
tem explicação contábil, mas preocupa

Murilo Ramos
AFP
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| Steve
Case, da AOL (à esq.), e Gerald Levin, da Time Warner, no dia
em que anunciaram a fusão |
O casamento
foi anunciado em janeiro de 2000. Naquele mês, parecia a mais promissora
das uniões. A bolsa americana de ações de alta tecnologia,
a Nasdaq, o verdadeiro coração do que seria uma nova economia,
batia recorde atrás de recorde. Enquanto isso, despencava o índice
Dow Jones, aquele que mede o desempenho das ações das empresas
tradicionais, então chamadas, não sem certa arrogância,
de velha economia. Pois bem, nesse ambiente promissor, o tradicional império
de mídia e entretenimento Time Warner (que publica as revistas
Time e Fortune, entre várias outras de sucesso) aceitou
ser comprado pela America Online (AOL), estrela da era digital. Três
meses depois, em abril de 2000, a bolha de internet estourou. Começaram
a aparecer prejuízos bilionários por toda parte. Indiferentes,
Time Warner e AOL deram seguimento à fusão mesmo com todas
as indicações de que o casamento seria turbulento. Em janeiro
de 2001, a união foi aprovada pelas autoridades americanas. Na
semana passada, o resultado dos primeiros quinze meses da fusão
veio a público. O grupo AOL Time Warner divulgou perda de 54,2
bilhões de dólares.
O anúncio
público decorre das novas regras contábeis impostas às
empresas pelo governo americano desde o escândalo da companhia de
energia Enron, que estourou em dezembro do ano passado. Antes, as empresas
americanas podiam diluir perdas advindas de fusões e incorporações
em até quarenta anos. Agora, numa tentativa de aumentar a transparência
de seus números, elas são obrigadas a lançar o prejuízo
de uma só vez no balanço. A operação se denomina,
em inglês, write-down e significa a redução
deliberada do valor patrimonial de um bem lançado no balanço.
Em geral, as companhias fazem essa operação para refletir
a obsolescência de um equipamento ou imóvel. No caso da AOL
Time Warner, a operação refletiu principalmente a perda
de valor das ações da empresa no último ano.
É
aí que mora o problema. A estratégia do grupo é vista
com enorme desconfiança pelo mercado depois do estouro da bolha
de alta tecnologia. O grupo experimentou uma queda geral de faturamento
em publicidade. Quem mais sofreu foi justamente a AOL, com uma perda de
30%. A base de assinantes até cresceu, mas não conseguiu
suprir as necessidades de caixa. "As companhias digitais ainda não
encontraram a formatação ideal", diz Bruno Laskowsky,
consultor da A.T. Kearney. Os especialistas concordam, porém, que
vai encontrar o caminho do lucro digital justamente quem fez a aposta
mais ousada. Nesse contexto, AOL Time Warner sai na frente de todo mundo.
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