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Edição 1 749 - 1° de maio de 2002
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Olho no laser

É preciso tomar cuidado com
as cirurgias para correção de
problemas oculares

Rápidas e indolores, as cirurgias oftalmológicas a laser conquistam um número cada vez maior de adeptos. Só no ano passado, 300.000 operações foram realizadas no Brasil. A popularização do uso do laser para a correção de miopia, astigmatismo e hipermetropia tem, no entanto, um lado ruim. De cada vinte operados, um precisa voltar ao centro cirúrgico para corrigir erros ou melhorar os resultados da primeira intervenção. É uma taxa alta. "Existe abuso tanto por parte dos médicos quanto dos pacientes", alerta Mauro Campos, professor de oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo. Alguns especialistas indicam a cirurgia para quem não pode submeter-se a ela. E muita gente, no afã de se ver livre dos óculos, insiste em fazer uma operação contra-indicada. As seqüelas costumam ser desagradáveis (veja quadro).

Apesar de simples e eficaz, o uso do laser, como toda operação, oferece riscos e requer cuidados. Cabe ao médico avisar que o método não faz milagres. Mesmo com os equipamentos mais modernos, não há garantia de que os óculos serão aposentados. Existem também registros de erros grosseiros. A cirurgia a laser consiste na aplicação de feixes de luz na córnea do paciente, para deixá-la o mais arredondada possível. Todo esse processo é feito por computador. Há relatos de médicos que erraram ao programá-lo. Resultado: o paciente que era míope virou hipermetrope. Ou o contrário. Um dos casos mais comuns de contra-indicação é o do paciente com espessura da córnea fina demais. Se a cirurgia é realizada, ele pode até perder parte da visão. Por isso, antes de entregar os olhos à ação do laser, é imprescindível fazer exames pré-operatórios. E, sobretudo, respeitar a indicação ou não da cirurgia.

Para tornar a aplicação do laser ainda mais segura, novos equipamentos estão em desenvolvimento. Determinados aparelhos já dispõem de dispositivos que acompanham o movimento dos olhos durante a respiração do paciente. Isso diminui bastante a probabilidade de o raio ser aplicado no lugar errado. Não basta, no entanto, aperfeiçoar os aparelhos. É preciso que alguns oftalmologistas não enxerguem apenas o bolso dos clientes.

 

Visão retocada

300 000 cirurgias a laser são realizadas por ano no Brasil

5% dos pacientes, entre três e seis meses depois, voltam à mesa de operação, para corrigir defeitos ou melhorar os resultados da primeira operação  

Os principais problemas são: perda da visão noturna, visão dupla, dificuldade de enxergar na penumbra, reajuste do grau e até perda parcial da visão

 

   
 
   
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