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"Seu filho está gordo"

Nos Estados Unidos, a obesidade
infantil agora preocupa até os
diretores de escolas

Paula Beatriz Neiva

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Os pais de 300 dos 3.000 alunos de 6 a 13 anos da escola East Penn, na cidade de Allentown, no Estado americano da Pensilvânia, receberam uma carta dos diretores do colégio "estritamente confidencial". No documento, o aviso: seu filho está gordo. A correspondência até parece uma ficha médica – tem peso, altura e índice de massa corpórea – e traz alertas sobre os malefícios causados pelo excesso de gordura. "No princípio achamos que os pais poderiam reagir mal", lembra George Ziolkowski, um dos diretores do colégio. "Mas mais da metade nos agradeceu o aviso." Se o expediente funcionou ou não, só se saberá em novembro, quando as crianças serão submetidas a novos exames. A iniciativa, no entanto, foi tão bem-aceita que outras escolas americanas começam a fazer o mesmo. Não é para menos: a obesidade infantil virou um problema de saúde pública nos Estados Unidos. No país com a maior população de gordos – 140 milhões de americanos enfrentam problemas com a balança –, o número de meninos e meninas com excesso de peso triplicou desde a década de 60.

A obesidade infantil, na verdade, cresce em ritmo acelerado em boa parte do mundo. No Brasil, saltou de 3% para 14% nos últimos vinte anos. A gordura tem causas genéticas, mas os fatores ambientais pesam muito. A criançada de hoje come mais e pior. Além disso, está mais sedentária. O pega-pega, o jogo de bola, a amarelinha foram trocados pela televisão, videogame e computador. Oito de cada dez crianças obesas se tornarão adultos obesos, com propensão a derrames e infartos. Os quilos a mais aumentam a suscetibilidade delas a doenças típicas dos adultos, como a hipertensão, o diabetes tipo 2 e dores de coluna.

Cabe aos pais orientar a alimentação dos filhos desde cedo. "Eles devem evitar o abuso de farináceos, gordura e açúcar e estimular o consumo de vegetais e frutas", aconselha o pediatra José Augusto Taddei, professor da Universidade Federal de São Paulo. A prática de exercícios físicos também deve ser encorajada. Tudo isso pode soar óbvio (e é), mas a realidade mostra que a maioria das crianças se torna obesa por ignorância ou desleixo dos pais. São eles que permitem que os pequenos se entupam de salgadinhos e doces e tomem litros de refrigerante. Não dá para proibir, mas dá para limitar o consumo de toda essa porcariada. Basta exercer a autoridade. Mas essa é uma outra história.

 

   
 
   
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