Milionários do samba

Com Alexandre Pires à frente, o grupo Só pra
Contrariar bate o recorde de vendagem na MPB

Okky de Souza

Alexandre: 2,9 milhões
de cópias e comprinhade 10.000 dólares
Foto: Claudio Rossi  

Quando trabalhava numa lavanderia em Uberlândia, Minas Gerais, passando a ferro camisas e paletós, Alexandre Pires costumava levar bronca do patrão quase todo dia. Pudera: depois de varar as noites cantando em bailes e bares da cidade com seu grupo musical, raramente conseguia bater o ponto no serviço às 7 da manhã. Agora, apenas seis anos depois de trocar definitivamente o ferro elétrico pelo microfone, Alexandre costuma estacionar seu Porsche conversível na porta da lavanderia. Confia a ela seus ternos Gianni Versace e Giorgio Armani e aproveita para rir daqueles tempos com seu antigo algoz. Alexandre é hoje cantor e líder do grupo Só pra Contrariar, um dos mais populares da onda de pagode que tomou conta da música brasileira recentemente. Desde a semana passada, Alexandre é mais do que isso — ele é também o intérprete do maior estouro de vendagem da MPB em todos os tempos. O quinto CD do Só pra Contrariar, lançado em março do ano passado, com o nome do grupo no título, acaba de bater a marca de 2,9 milhões de cópias vendidas. Com isso, ultrapassou o recorde anterior dos sertanejos Leandro e Leonardo (2,85 milhões do disco Volume 4, de 1990). Apenas Xuxa já vendeu mais cópias de um único disco no Brasil — seu Xou da Xuxa 3, de 1988, encontrou 3,1 milhões de compradores. Deve-se considerar, porém, que Xuxa é um fenômeno da TV, não da música popular.

Não bastasse todo esse sucesso, Alexandre Pires, de 22 anos, é também invejado por metade da população masculina do país: ele é o atual namorado da dançarina baiana Carla Perez. Embora o namoro já dure vários meses, eles se encontram pouco. Ambos têm agendas de shows apertadíssimas. "Chego a ficar 45 dias sem voltar para casa, morando em hotéis, ônibus e aviões", informa o cantor, que nos últimos dez meses fez também cinqüenta participações em programas de TV e 100 em programas de rádio. No início da semana passada, Alexandre e Carla estavam em São Paulo. Ela negociava um contrato com Silvio Santos para virar apresentadora do SBT (veja quadro). Os dois planejavam assistir juntos ao especial com o Só pra Contrariar apresentado pela Rede Globo na quarta-feira. O programa foi um sucesso: conquistou 27 pontos de audiência, contra 18 obtidos por Roberto Carlos na quarta da semana anterior, com a reprise de seu especial de fim de ano. Carla Perez tem fama de ser muito ciumenta. É verdade, Alexandre? "Já transei com muitas fãs, mas sou um cara fiel, gosto de ficar com uma pessoa de cada vez", despista o cantor, que antes de Carla namorou a cantora Simony. "Se ele disser que sou ciumenta, dou um soco na cara dele", dispara a louraça, com senso de humor bem ao estilo tchan. Mas a paixão é para valer. Há um mês, Alexandre passou uma semana na Espanha para divulgar o conjunto por lá. Ao pagar a conta do hotel, deixou no balcão 4.000 dólares em telefonemas internacionais — todos para sua amada ao sul do Equador.

Alexandre não é apenas o cantor do Só pra Contrariar. Ele é dono do grupo — os outros oito integrantes recebem cachês fixos para tocar nos shows e participar dos discos. Cabe a ele a maior fatia da montanha de dinheiro que o conjunto fatura. Uma apresentação do Só pra Contrariar custa atualmente 50.000 reais. Desse total, 30%, ou 15.000, é dividido entre os oito músicos que acompanham Alexandre. Os outros 35.000 reais vão para a produção do show — luz, som, bailarinos e transporte —, para o bolso do cantor e de seu sócio e empresário. No ano passado o grupo fez 174 apresentações pelo país. Num cálculo aproximado, só com os espetáculos o cantor vem embolsando 245.000 reais por mês. A sua conta bancária tem, ainda, outra fonte caudalosa. Por disco vendido, o Só pra Contrariar recebe da gravadora 1,5 real. O total é dividido entre todos os integrantes do conjunto, mas Alexandre acaba recebendo mais por ser o produtor dos discos e autor da maioria das músicas. Até hoje, os cinco CDs do grupo venderam 6 milhões de cópias.

Alexandre Pires tinha apenas 16 anos quando o primeiro CD do Só pra Contrariar estourou, com 600.000 cópias. Sua primeira providência foi comprar uma bela casa com piscina para a família em Uberlândia, onde nasceu. O cantor teve uma infância humilde, mas recheada de música: sua mãe era cantora e o pai, baterista. Atuavam num conjunto que animava bailes na cidade. "A profissão veio de maneira natural, nunca pensei em ser outra coisa na vida", conta Alexandre, que estudou até a 8ª série e toca com desembaraço nada menos que vinte instrumentos, do piano ao reco-reco. Hoje está rico, mas não ficou arrogante. "Conduzir o sucesso é ser você mesmo o tempo todo", filosofa. Sua grande diversão, além de assistir a filmes de ação e de terror, é gastar em roupas de griffe. Na visita recente que fez à Espanha, descarregou 10.000 dólares no cartão de crédito apenas numa butique masculina. As comprinhas couberam em duas sacolas. Tem uma coleção de gravatas, mas sempre que vai vesti-las é obrigado a chamar alguém para fazer o nó. Ele nem liga. Entre os afagos do público e os de Carla Perez, está num momento iluminado.

Redirecionando o tchan

Foto: Ricardo Correa
Carla: "Até as faxineiras
me querem na televisão"

A dançarina Carla Perez já tem data marcada para mudar de profissão: 7 de junho. Nesse dia, ela fará o último show com o grupo É o Tchan! Depois pretende engatar uma carreira como apresentadora de TV. No final da semana passada, ela estava prestes a fechar negócio com o SBT, onde comandaria dois programas. Um deles seria diário, com números musicais, humor e prêmios. O outro seria uma atração infantil nas manhãs de sábado, também com muita música, além de brincadeiras e concursos de dança. Silvio Santos propôs a Carla um salário mensal entre 60.000 e 80.000 reais, o dobro do que ela ganha segurando o Tchan. O conjunto faz uma média de vinte apresentações por mês e em cada uma ela recebe 1500 reais. A Rede Record também andou conversando com Carla na semana passada, mas sem acenar com um formato de programa ou proposta de salário. "Estou inclinada a ir para o SBT. Até as faxineiras da emissora querem que eu vá", informava Carla na quinta-feira.

Antes de deixar o É o Tchan!, Carla Perez fará parte do júri que escolherá a nova dançarina do conjunto, a ser contratada pela gravadora PolyGram. No momento, há uma disputa renhida entre os programas de Gugu Liberato, Fausto Silva e Ratinho para sediar o concurso. Não é para menos. No ano passado, quando a morena Scheila Carvalho foi eleita para integrar o grupo, no Domingão do Faustão, o programa chegou a conquistar mais 10 pontos de audiência com o festival de rebolado.




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line