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Medo da bomba
Célula
terrorista descoberta na Bélgica
alerta para o risco de atentados na França
Os 6.000 homens que
estão sendo treinados para dar segurança à Copa do
Mundo poderão ter mais trabalho do que reprimir
hooligans ou levar torcedores bêbados para uma ducha de
água fria na delegacia. Numa célula terrorista
descoberta no início deste mês durante uma batida, a
menos de três horas de trem de Paris, a polícia belga
encontrou explosivos líquidos, detonadores, um fuzil
Kalashnikov, o equivalente a 20.000 reais em dinheiro
vivo e material informativo sobre o próximo campeonato
mundial de futebol. Copa do Mundo é, potencialmente, um
megaevento de alto risco. A afluência de milhares de
pessoas vindas de diferentes partes do mundo, a presença
de estrelas esportivas de primeira grandeza, a cobertura
maciça da televisão e os milhões de dólares em jogo
tornam mais vulneráveis os sistemas de controle e
conferem uma repercussão quase infinita a qualquer
acontecimento ligado a ela. "Não precisa ser um
especialista em terrorismo para perceber que será uma
ótima oportunidade para quem quer atacar a
França", diz Christian Valkeneer, o juiz belga que
está investigando o caso.
Na batida policial,
realizada no centro de Bruxelas, foram presos sete
argelinos, suspeitos de pertencer a uma organização
terrorista islâmica. Entre os detidos está Farid
Melouk, 33 anos, condenado à revelia a sete anos de
prisão na França pela participação em um atentado em
1995, no qual morreram sete pessoas e outras 180 ficaram
feridas. Antiga colônia francesa, a Argélia está em
uma sangrenta guerra civil que repercute intensamente na
França, onde moram cerca de 600.000 argelinos.
"Nossos serviços de segurança estão convencidos
de que novos ataques dos fundamentalistas islâmicos, se
vierem a ocorrer, serão desfechados durante a
Copa", afirma o francês Roland Jacquard,
especialista em terrorismo.
Ação
coordenada Além dos 6.000 homens da polícia
e do exército que ficarão mobilizados durante todo o
período dos jogos, outros 300 policiais de elite se
encarregarão da proteção das 32 seleções.
Helicópteros vão estar circulando pelas zonas
consideradas estratégicas. Nos estádios haverá
câmaras para possibilitar a observação permanente da
torcida. Juízes com poderes especiais de prender e
processar sumariamente foram nomeados para atuar nas dez
cidades em que se realizarão as partidas. Quarta-feira
passada, ao fim de três anos de investigações, a
polícia inglesa prendeu 29 hooligans na região
de Sunderland, no norte do país. Eles são acusados de
formação de quadrilha e perturbação da ordem em jogos
de futebol. Nesta semana, representantes de organismos de
segurança de catorze países europeus se reúnem com as
autoridades francesas para estabelecer ações
coordenadas. Ao contrário das Olimpíadas, que já
sofreram dois atentados, a Copa, em suas quinze
edições, sempre conseguiu manter-se a salvo do
terrorismo. A França não quer dar chance para a
primeira vez.
Horror
nas Olimpíadas
Munique,
1972: o terrorismo esportivo é inaugurado com o
ataque de um comando palestino à Vila Olímpica
que resulta na morte de onze atletas de Israel
Atlanta,
1996: bomba que explode no Parque Olímpico mata
uma mulher e deixa uma centena de feridos. Os
americanos até hoje não desvendaram sua autoria
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