Mar enfurecido

Ventos causados pelo El Niño criam ondas
gigantes e fazem a alegria dos surfistas

Os fabricantes de guarda-chuva não são a única categoria profissional que festeja a chegada do El Niño, o fenômeno meteorológico que afeta o clima do planeta. Nos últimos meses, os surfistas também perceberam que o aquecimento anormal das águas do Pacífico é uma festa para quem gosta de grandes emoções. Os ventos fortes, as variações bruscas de temperatura e as tempestades marítimas provocaram uma temporada de ondas gigantescas que fez a alegria dos "big riders", surfistas especializados nas maiores, mais velozes e perigosas ondas. Eles praticam seu esporte apenas em alto-mar, usando pranchas especiais, com mais de 3 metros de comprimento.

Enfrentar grandes ondas é um esporte muito diferente do surfe comum. Nos campeonatos, vence não quem faz as mais belas manobras, mas sim quem fica mais tempo em cima da onda. Lembra um torneio de montaria em touros bravios, e a comparação não é exagerada. Ao descer da crista de uma onda de 10 metros de altura, o surfista está a 50 quilômetros por hora. Ser pego pela arrebentação da onda equivale a ser atropelado por um automóvel a 30 quilômetros por hora. Por isso o esporte, praticado apenas por uma elite de surfistas, é tão perigoso. Nos últimos quatro anos, quatro deles morreram porque, ao cair na água, perderam a consciência e se afogaram. Há alguns meses, o brasileiro Daniks Fischer sofreu uma perfuração do tímpano e rompeu os ligamentos do joelho ao "tomar um caldo" de uma onda de 6 metros em Mavericks, na Califórnia.

Esses malucos aproveitaram os efeitos do El Niño para organizar, no final de fevereiro, o 1º Campeonato Mundial de Grandes Ondas. O torneio aconteceu na Ilha de Todos os Santos, no México, onde o clima tempestuoso elevou a altura média das ondas de 8 para 10 metros. Para garantir a segurança dos competidores que caíam das pranchas, a organização contratou quatro salva-vidas montados em jet-skis. A equipe vencedora foi a dos brasileiros Carlos Burle e Rodrigo Resende, que se equilibraram várias vezes em ondas de cerca de 10 metros de altura. Mas a estrela do torneio foi o americano Taylor Knox, que conseguiu manter-se durante alguns segundos sobre uma onda de 16 metros de altura, equivalente a um prédio de cinco andares. Assim que os peritos analisarem as fitas de vídeo do torneio, para comprovar que a onda tinha mesmo esse tamanho, Knox receberá um prêmio de 50.000 dólares.




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