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| Foto: Ricardo Almeida | |
| O Estação e detalhe dos bares no lago central: 2,2 milhões de visitantes em seis meses | |
Por fora, parece um shopping center. Por dentro, o Estação Plaza Show, inaugurado recentemente em Curitiba, é um centro de lazer que está transformando um bom pedaço da capital paranaense. Há quatro anos, a região da antiga estação de trem era uma das mais perigosas do centro da cidade. Escuras e desertas desde que os trens deixaram de passar por ali, em 1973, suas ruas serviam como ponto para ladrões de carro, batedores de carteira e outros marginais. O próprio edifício centenário da estação estava quase às moscas apenas duas repartições da Rede Ferroviária Federal funcionavam no local. Com o Estação Plaza Show, o retrato do lugar é outro. Preservando as fachadas da antiga estação, tombada como patrimônio histórico desde 1976, empresas privadas investiram perto de 100 milhões de reais para transformar o local em um dos centros de lazer mais modernos do país.
Ao contrário dos shopping centers, onde
as atrações são os grandes magazines, as âncoras do
Estação são os dez cinemas. Existem 100 lojas, mas as
butiques são minoria só os bares, restaurantes,
cafeterias e confeitarias são quarenta. Com essa
fórmula, o Estação já recebeu 2,2 milhões de
visitantes desde setembro do ano passado. Tanta gente
acabou por empurrar para longe os problemas que se
amontoavam ali. "A movimentação de pessoas e a
nova iluminação afastaram os bandidos", atesta o
delegado Alcimar Garrett, responsável pelo policiamento
da região. "A presença do empreendimento valoriza
os imóveis vizinhos", diz o superintendente do
Estação, Sérgio Bromfman.
Centros de lazer estão sendo muito usados em outros países como recurso para recuperar regiões degradadas das cidades. A prefeitura de Nova York, por exemplo, está estimulando grupos de entretenimento a investir na Rua 42, um antigo reduto de teatros pornográficos e prostituição. Só a Walt Disney gastou 38 milhões de dólares na compra e recuperação do New Amsterdam Theatre, que fica ali. Praticamente todas as cidades médias dos Estados Unidos têm projetos semelhantes. São centenas de empreendimentos que procuram juntar comida e espetáculos em edifícios de arquitetura especial. No Brasil, a única iniciativa do porte do Estação em andamento é o Aeroclube Plaza Show, em Salvador. Levantado em uma área do antigo aeroclube da cidade, desativado há treze anos, o centro de lazer terá 28.000 metros quadrados, com 185 lojas e dez cinemas. "Nossa área de restaurantes terá vista privilegiada para o mar", diz o superintendente do Aeroclube, Marcelo Priolli.
Como negócio, o Estação de Curitiba é um sucesso. Pelas projeções, seu faturamento deve chegar a 100 milhões de reais ao final do primeiro ano de funcionamento. Há shows musicais todos os dias, em vários horários, no palco em frente da praça de alimentação. Artistas como o pianista Arthur Moreira Lima e o cantor Manolo Otero já fizeram apresentações lá. "Todo o projeto foi voltado para as pessoas que querem vir aqui comer e se divertir", diz Sérgio Bromfman. Assim, a capital do Paraná junta mais um ingrediente a outras soluções pioneiras como o sistema rápido de ônibus Ligeirinho, a Ópera de Arame e a Rua 24 Horas que já lhe deram fama de cidade com qualidade de vida exemplar.
Franco Iacomini
Copyright © 1998, Abril
S.A. |