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Onda futurista
A chegada
do celular digital cria um
novo ícone de consumo entre os brasileiros
Sérgio
Ruiz Luz
Há um novo objeto
de desejo nas lojas. Ele tem o formato de um telefone
celular convencional, mas os anúncios de jornais,
revistas e outdoors deixam claro que se trata de um
aparelho muito mais incrementado. Segundo a guerra
publicitária travada pelos fabricantes, seria a última
palavra em tecnologia e a salvação da lavoura para o
ineficiente sistema de telefonia móvel instalado no
país. Vendidos em modelos e tamanhos diferentes,
transformaram-se em novo ícone de consumo. Em São
Paulo, por exemplo, cerca de 5.000 pessoas receberam na
semana passada as primeiras cartas de habilitação de
linhas da chamada banda B, a única que opera os
celulares digitais por enquanto. O BCP, consórcio que
adquiriu a concessão para explorar a região
metropolitana da capital paulista, promete colocar o
serviço em operação em abril. Em Brasília e Goiânia,
os aparelhos digitais já funcionam desde o final do ano
passado. Ainda neste semestre, entram na lista Rio de
Janeiro, Campo Grande e Cuiabá.
Com a chegada dos
aparelhos digitais, os brasileiros vão conviver com dois
diferentes sistemas de telefonia móvel. O digital, mais
avançado, é operado pelas empresas privadas que
ganharam a concessão da chamada banda B e estão
estreando no mercado. O outro sistema é o analógico,
mais antigo, mantido pelas empresas do sistema Telebrás
caso da Telesp, em São Paulo, da Telerj, no Rio de
Janeiro, e da Telemig, em Minas Gerais. Essas empresas,
ainda não privatizadas, controlam a chamada banda A.
Elas chegaram primeiro ao mercado, numa época em que a
tecnologia digital ainda não estava totalmente
disponível e, por isso, até agora só oferecem o
sistema analógico. Nos próximos meses, no entanto,
também elas vão passar a oferecer linhas digitais, um
padrão que tende a se impor no mundo todo.
Versáteis e eficientes
As diferenças entre os dois sistemas são brutais. Os telefones analógicos
utilizam uma tecnologia que, aos poucos, vai se tornando obsoleta. Eles
funcionam da mesma forma que as transmissões de televisão e das emissoras
FM: sons e imagens viajam na forma de ondas de rádio. Além de a capacidade
de transmissão ser menor, o sistema analógico está mais sujeito a interferência.
Os telefones digitais, por sua vez, usam a avançadíssima linguagem dos
computadores. No lugar das ondas de rádio, os sinais sonoros são convertidos
em seqüências numéricas de 0 e 1. Codificados dessa forma, podem ser compactados
e transmitidos livres de interferência (veja quadro). A maior capacidade de transmissão torna os celulares
digitais muito mais versáteis e eficientes. Além de permitir que os usuários
conversem entre si, alguns aparelhos podem identificar o número que está
chamando e receber e enviar mensagens escritas. Em outros é possível conversar
com duas pessoas ao mesmo tempo. Outra vantagem do sistema digital é o
sigilo da comunicação. Os sinais passam embaralhados pelas centrais de
comunicação e só são decodificados pelo aparelho receptor, o que impossibilita
interceptação de conversa ou pirataria de linha.
Mesmo com tantas vantagens, os celulares
digitais não vão aposentar os convencionais. Pelo menos por enquanto.
Primeiro, há o preço. A habilitação da linha de um celular digital custa
em média 280 reais, 15% mais que a de um celular convencional. Os aparelhos
digitais são mais pesados e maiores que os convencionais, como o StarTAC,
da Motorola, um campeão mundial de vendas (veja
quadro). A razão é que o celular digital precisa funcionar
como dois aparelhos em um. Além dos sinais digitais, emite também os analógicos
para comunicar-se com aparelhos convencionais em áreas não cobertas pela
banda B. Outro problema é que, na falta de acordos operacionais entre
todas as empresas privadas e estatais, alguns sistemas ainda não se comunicam
entre si. Um telefone digital comprado em São Paulo, por exemplo, poderá
ficar mudo numa viagem para o Recife. É um obstáculo temporário, que deve
ser resolvido nos próximos meses.
Preços em
queda O grau de confiabilidade tanto do
celular digital quanto do convencional depende igualmente
do número de antenas retransmissoras instaladas nas
cidades. Se não houver uma cobertura suficiente da
área, a linha cai do mesmo jeito. Pior: um projeto mal
dimensionado provoca ainda mais transtornos para os
telefones digitais. Embora alguns desses aparelhos sejam
capazes de corrigir e recuperar uma transmissão
defeituosa, eles nada podem fazer quando os sinais de
comunicação encontram barreiras como túneis e prédios
a linha cai imediatamente. Já um aparelho analógico
nas mesmas condições sofre o ataque dos chiados, mas em
geral a linha não cai. O que as empresas privadas da
banda B prometem para evitar o caos nas transmissões
digitais é uma cobertura adequada. A Americel, do
Distrito Federal, por exemplo, já instalou antenas na
rodovia que liga Brasília a Goiânia.
O mercado
brasileiro recebeu até o momento apenas um dos dois
padrões de tecnologia digital disponíveis no mundo.
Trata-se do sistema Acesso de Tempo por Divisão
Múltipla, TDMA, difundido na Europa pela empresa sueca
Ericsson. O outro padrão, conhecido como Acesso
Múltiplo por Divisão de Código, CDMA, desenvolvido
pela americana Qualcomm, está disputando licitações
abertas por algumas empresas brasileiras. Uma vantagem
para quem está na fila de espera do celular é que, com
a implantação do sistema digital e a disputa entre as
operadoras estatais e privadas, os preços devem cair. O
dos convencionais tende a baixar ainda mais e transformar
o sistema numa alternativa mais barata para os que
desejam um telefone móvel somente para conversar.
Especialistas avaliam que o preço da habilitação para
um telefone convencional pode chegar nos próximos anos a
75 reais, um terço do preço atual.
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O Skyway,
da Gradiente, custa 630 reais e vem equipado com dispositivos
para identificação do número de chamada. |
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O Nokia 6120
possui uma memória para 199 nomes e
números, além de funções como
despertador, calendário e video-games.
Custa 800 reais. |
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O UltraTAC 750,
da Motorola, de 650 reais, pode funcionar
como um pager, armazenando cinco
mensagens de até 239 caracteres. |
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O DF 388
é um dos três modelos digitais da
Ericsson à venda no Brasil. Custa 615
reais e pode armazenar números de até
32 dígitos. |
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O LGC-500F da LG deverá
ser lançado no país nas próximas
semanas, conforme anuncia a empresa.
Custa 800 dólares no exterior e possui
sistemas de reconhecimento de voz para
discagem. |
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O minicampeão
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O
aparelho:
nacionalização
reduziu o preço |
| Foto: Divulgação |
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A evolução tecnológica dos
equipamentos celulares caminha para a
miniaturização. Modelos cada vez menores e mais
potentes estão chegando ao mercado a todo
momento. Até agora, no entanto, nenhuma novidade
conseguiu os 88 gramas de peso e 9,5 centímetros
de comprimento do StarTAC, da Motorola. Eleito
duas vezes o produto do ano nos Estados Unidos
pela revista Time, o microtelefone virou
ícone de consumo no mercado brasileiro, onde
chegou a ser vendido por 4.000 reais. O sucesso
das vendas no Brasil cujos números são
mantidos em sigilo pela empresa estimulou a
Motorola a produzi-lo numa fábrica no interior
de São Paulo. Operou-se então uma economia
brutal. Um StarTAC pode ser encontrado hoje a
preços que vão de cerca de 500 reais, o mais
simples, a 1800 reais, com o kit completo.
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