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Susto na África
Recepção
calorosa em Gana faz Clinton entrar em pânico
Bill Clinton estava
assustado, gesticulava em descompasso, os guarda-costas
moviam-se como baratas tontas. Poderia ser o retrato de
um atentado contra o presidente. Ao contrário, era
resultado da maior recepção de sua vida. Na
segunda-feira 23, centenas de milhares de pessoas se
acotovelaram na Praça da Independência, em Acra,
capital de Gana, escala inicial da viagem de doze dias
que Clinton faz à África a primeira de um presidente
americano em vinte anos. Sob o calor que passava dos 30
graus, o rosto do presidente ficou vermelho e várias
pessoas desmaiaram. Quando a multidão se comprimiu
contra barricadas armadas para a proteção da comitiva,
os que estavam à frente foram ao chão. "Para
trás, para trás", gritou Clinton, esbaforido.
Disposto a mostrar um continente de oportunidades para
investimentos, Clinton gostaria de ver na TV os aspectos
mais prósperos das cidades e seus políticos sérios. Na
semana passada, com a confusão, a imagem que ficou foi
aquela, que está mais para a velha África tribal.
A ida de Clinton ao
continente tem uma mensagem interna e outra externa. Para
os africanos, quer reafirmar os princípios democráticos
ele expressou arrependimento pelo apoio às ditaduras
durante a Guerra Fria e apontar o caminho da
globalização. Dos países escolhidos para a visita
(Gana, Uganda, África do Sul, Botsuana, Senegal e
Ruanda), só o último ainda está longe de
alcançá-los. Para consumo doméstico, Clinton fez
média com os negros americanos: na terça-feira passada,
em Uganda, desculpou-se pelos séculos de escravidão,
embora o público presente não estivesse muito
preocupado com isso. O país nunca foi um grande
exportador de escravos para os Estados Unidos.

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