Eleições

Fim da novela

Covas acaba com o suspense e admite sua candidatura

O governador: estacionado
nas pesquisas, mas animado
com a queda de Maluf
Foto: Roberto Jayme  

Acabou o suspense. Depois de meses negando em público o que todos ao seu redor davam como certo, o governador tucano Mário Covas, de São Paulo, confirmou na sexta-feira passada que vai mesmo concorrer à reeleição em outubro. Como é próprio de seu estilo, Covas fez o anúncio sem espalhafato, numa reunião para a qual os secretários foram convocados de surpresa pela manhã. Seu discurso demorou apenas vinte minutos e frustrou quem esperava ouvir justificativas. "Ninguém precisa explicar por que é candidato", disse Covas. "Apenas é ou não é." Foi aplaudido pelos auxiliares, recebeu cumprimentos e recolheu-se novamente ao gabinete. À tarde, Covas recebeu a visita do presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem telefonara ainda cedo para comunicar a decisão.

Foi o desfecho previsível de uma novela que se arrastava desde setembro, quando Covas reuniu o secretariado para dizer que não disputaria um novo mandato. Político habilidoso, o governador alimentou o suspense para ganhar tempo. Com isso, eliminou sem muito esforço os concorrentes que se apresentaram dentro do partido, como o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Covas também conseguiu evitar o desgaste que teria sofrido apresentando-se como candidato mais cedo. Assim, pôde continuar a inaugurar obras sem correr o risco de ver qualquer ação de governo identificada como ato de campanha eleitoral. Covas sempre foi contrário à reeleição por temer que a campanha se transformasse num debate sem fim sobre denúncias de uso da máquina. Antes de anunciar a candidatura, chegou a pensar em se licenciar do cargo para concorrer livre desse tipo de acusação, mas desistiu da idéia depois de ser informado das complicações legais que teria para se afastar.

Covas deixou o anúncio para ser feito num momento especial, em que os institutos de pesquisa não param de produzir más notícias para o ex-prefeito Paulo Maluf, do PPB. Depois de meses sendo apontado como franco favorito na disputa pelo governo paulista, Maluf está em queda nas pesquisas por causa da crise financeira que deixou como herança para seu sucessor na prefeitura, Celso Pitta. Na pesquisa mais recente do Ibope, encomendada pelo PSDB e concluída no início de março, Maluf aparece com 25% dos votos. No fim do ano passado, ele navegava tranqüilo na faixa dos 30%. O problema dos tucanos é que Covas até agora não cresceu nas pesquisas. Mesmo com o aumento da propaganda do governo estadual na TV, ele ainda está longe de Maluf, com 14% das intenções de voto e em terceiro lugar, quase empatado com o segundo colocado Francisco Rossi, do PDT. A queda de Maluf animou Covas a lançar a candidatura, mas os números também mostram que ele terá de trabalhar duro se quiser reeleger-se.




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