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fogo em Roraima: retórica nacionalista |
| Foto: Janduari Simnoes |
No Brasil, muitas vezes se procura atacar os problemas pelo lado errado. Um exemplo é o incêndio que está devastando o Estado de Roraima. O fogo é usado tradicionalmente pelos agricultores da região para limpar o terreno antes do plantio. Desta vez, porém, as queimadas fugiram do controle e adquiriram proporções de catástrofe em virtude da seca causada pelo El Niño, o fenômeno que está afetando o clima de todo o planeta. Na semana passada, o fogo já havia devastado uma área maior que a Bélgica. O desastre não chega a ser uma surpresa para ninguém. Desde o segundo semestre do ano passado, o Brasil recebeu oferta de ajuda do exterior para apagar o incêndio e reagiu com espantosa indiferença.
Em novembro, portanto bem antes que as chamas se alastrassem, a Organização das Nações Unidas, ONU, enviou uma carta ao governo brasileiro colocando à disposição os recursos de que o país necessitasse para enfrentar o problema. Tradução da oferta dada por um funcionário da ONU na semana passada: aviões, helicópteros, especialistas em incêndios florestais, tudo isso estaria à disposição das autoridades brasileiras em poucos dias. Bastava pedir. O governo achou à época que não seria o caso de aceitar a oferta. Conforme se verificou num balanço da tragédia feito na quinta-feira passada por autoridades em Brasília, por trás dessa atitude de aparente independência estava o temor dos militares de que a aceitação da ajuda estrangeira pudesse ser interpretada como uma confissão de fracasso.
Seria o pretexto, segundo essa visão, para que outros países pudessem pensar naquilo que os militares brasileiros chamam, paranoicamente, de "internacionalização da Amazônia". É um sentimento inteiramente deslocado, retrógrado. Mas, pelo visto, está no ar em Brasília. Tudo estaria muito bem se o governo brasileiro tivesse entrado em ação por conta própria. Isso não aconteceu. Ele só reagiu depois que a imprensa mundial passou a denunciar a destruição, nas últimas semanas.
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