Guia
Ecobebês
Anna Paula
Buchalla
abuchalla@abril.com.br
Divulgação
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Há um filão
do mercado de produtos infantis que não para de crescer é
o dos equipamentos e acessórios ditos ecologicamente corretos. Ou que,
ao menos, sinalizam um retorno a métodos de cuidados mais simples e naturais
com o bebê.
De roupinhas
orgânicas a mamadeiras de vidro e fraldas de pano, esse comércio
específico alavancou em 25% as vendas de artigos para crianças nos
Estados Unidos nos últimos quatro anos. No Brasil esse movimento já
surge com força. No ano passado, o consumo de produtos "verdes"
para os pequenos nos primeiros anos de vida teve crescimento de até 140%.
VEJA consultou um grupo de especialistas e mães sobre a utilidade de tais
objetos e as precauções que se devem ter ao usá-los:
ROUPAS ORGÂNICAS
| Pedro Rubens
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O que são: peças
feitas com algodão e lã puros ou até mesmo fabricadas
com fibras de bambu cultivados sem aditivos químicos e de maneira
sustentável
Por que fazem sucesso:
ao contrário das malhas de algodão convencional, responsável
por cerca de 25% do total de inseticidas utilizados no solo mundial, as de algodão
orgânico são produzidas sem o uso de agrotóxicos. Já
a fibra de bambu é totalmente biodegradável e requer menos espaço
de cultivo do que o algodão
O
que diz quem usa: as peças são 30% mais caras, mas não
devem nada em conforto e beleza a seus equivalentes não orgânicos
O que dizem os especialistas: do ponto
de vista de conforto, leveza, isolamento térmico e risco de alergias, não
há diferença entre os materiais. Mas as roupas feitas com fibra
de bambu costumam conter poliéster, que dificulta a transpiração
do bebê. É preferível usá-las a partir dos seis meses,
quando a criança já regula melhor a temperatura do próprio
corpo
TUMMY TUB
O
que é: uma banheira plástica em forma de balde, feita sob medida
para o banho de bebês até 6 meses
Por
que faz sucesso: os pediatras holandeses que a desenvolveram alegam que o
formato da banheira recria o ambiente do útero da mãe, deixando
a criança menos tensa durante os primeiros banhos
O
que diz quem usa: a criança fica de fato mais tranquila e menos resistente
ao banho. A mãe, por sua vez, fica menos tensa
O
que dizem os especialistas: o ambiente estreito
da banheira mantém a criança em posição fetal, dando
a ela a sensação de estar protegida. A posição também
pode ajudar a aliviar as cólicas, porque facilita a eliminação
de gases. É imprescindível segurar o bebê pela cabeça
durante todo o banho
Monica Adamczyk/Stock
Photos  |
MAMADEIRA SEM BISFENOL-A
O que é: a boa e velha mamadeira de vidro, mas com bico de polipropileno
e silicone, materiais considerados inofensivos à saúde
Por
que faz sucesso: pesquisas feitas em ratos associaram a exposição
prolongada ao bisfenol-A substância química usada para dar
maleabilidade às mamadeiras de plástico ao surgimento de
cânceres
e danos cerebrais. O bisfenol-A é liberado em quantidades
muito pequenas quando o plástico é exposto a altas temperaturas,
como no micro-ondas ou em banho-maria. No Brasil, o produto é liberado
pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
O
que diz quem usa: apesar de ser 70% mais cara,
a mamadeira de vidro é
atóxica e mais fácil de limpar
O
que dizem os especialistas: seu uso é desaconselhável quando
a criança começa a andar, pelo risco de quedas e ferimentos. É
preciso tomar cuidado também com o superaquecimento do vidro.
FRALDA DE PANO
Divulgação
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O que é: em
lugar do plástico, usam-se algodão, flanela, malha e uma camada
impermeável de poliamida
Por
que faz sucesso: é uma alternativa à fralda descartável,
que leva 450 anos para se decompor, contra um ano da sua versão de pano.
Apesar de custarem 90% mais do que as de plástico, as fraldas de tecido
podem ser lavadas e reutilizadas até 100 vezes, o que representa economia
no final das contas
O que diz quem
usa: lavar fraldas de pano não é tarefa das mais fáceis.
É preciso deixá-las de molho para evitar manchas. A maioria das
mães não aboliu completamente as fraldas descartáveis, úteis
em viagens ou nas saídas com o bebê isso evita ter de guardar
a fralda suja
O que dizem os especialistas:
o contato com o tecido no lugar do plástico traz mais conforto ao bebê
porque permite a transpiração e reduz as assaduras. Lavadas de maneira
incorreta, contudo, elas podem causar alergias e infecção urinária
SLING
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FILHO EMBRULHADINHO É
assim que a cantora Claudia Leitte carrega Davi, de 2 meses |
O
que é: uma faixa de tecido que, ajustada ao corpo da mãe, forma
uma espécie de rede para carregar bebês e crianças de até
2 anos
Por que faz sucesso: como
os bebês ficam coladinhos à mãe, atribui-se ao sling o fortalecimento
do vínculo entre ela e o filho. Ele teria ainda um efeito calmante sobre
os bebês mais chorões
O
que diz quem usa: é prático e confortável nos primeiros
meses do bebê. Quando ele fica maiorzinho, por volta dos 10 meses, é
preferível usar o canguru, que deixa braços e pernas livres
O que dizem os especialistas: a partir
de 1 ano de idade, a criança fica mais inquieta e existe o risco de queda.
O sling não deve ser usado por longos períodos o máximo
recomendável é uma hora por dia. Mais do que isso, aumenta o risco
de lesões na coluna da mãe
Especialistas
consultados: a enfermeira e consultora de amamentação Eneida Souza,
a médica neonatologista Luisa Helena Madureira, os pediatras Maurício
Lima (USP), Paulo Nader (Sociedade Brasileira de Pediatria), Roberto Bittar e
Sandra Campos (Unifesp) e Victor Nudelman (Hospital Albert Einstein) e a psicoterapeuta
Doris Barg (especialista em cuidados pós-parto)