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Edição 2106

1º de abril de 2009
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Anna Paula Buchalla
abuchalla@abril.com.br

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Há um filão do mercado de produtos infantis que não para de crescer – é o dos equipamentos e acessórios ditos ecologicamente corretos. Ou que, ao menos, sinalizam um retorno a métodos de cuidados mais simples e naturais com o bebê.

De roupinhas orgânicas a mamadeiras de vidro e fraldas de pano, esse comércio específico alavancou em 25% as vendas de artigos para crianças nos Estados Unidos nos últimos quatro anos. No Brasil esse movimento já surge com força. No ano passado, o consumo de produtos "verdes" para os pequenos nos primeiros anos de vida teve crescimento de até 140%. VEJA consultou um grupo de especialistas e mães sobre a utilidade de tais objetos e as precauções que se devem ter ao usá-los:


ROUPAS ORGÂNICAS

Pedro Rubens

O que são: peças feitas com algodão e lã puros – ou até mesmo fabricadas com fibras de bambu – cultivados sem aditivos químicos e de maneira sustentável
Por que fazem sucesso: ao contrário das malhas de algodão convencional, responsável por cerca de 25% do total de inseticidas utilizados no solo mundial, as de algodão orgânico são produzidas sem o uso de agrotóxicos. Já a fibra de bambu é totalmente biodegradável e requer menos espaço de cultivo do que o algodão
O que diz quem usa: as peças são 30% mais caras, mas não devem nada em conforto e beleza a seus equivalentes não orgânicos
O que dizem os especialistas: do ponto de vista de conforto, leveza, isolamento térmico e risco de alergias, não há diferença entre os materiais. Mas as roupas feitas com fibra de bambu costumam conter poliéster, que dificulta a transpiração do bebê. É preferível usá-las a partir dos seis meses, quando a criança já regula melhor a temperatura do próprio corpo


TUMMY TUB

O que é: uma banheira plástica em forma de balde, feita sob medida para o banho de bebês até 6 meses
Por que faz sucesso: os pediatras holandeses que a desenvolveram alegam que o formato da banheira recria o ambiente do útero da mãe, deixando a criança menos tensa durante os primeiros banhos
O que diz quem usa: a criança fica de fato mais tranquila e menos resistente ao banho. A mãe, por sua vez, fica menos tensa
O que dizem os especialistas: o ambiente estreito da banheira mantém a criança em posição fetal, dando a ela a sensação de estar protegida. A posição também pode ajudar a aliviar as cólicas, porque facilita a eliminação de gases. É imprescindível segurar o bebê pela cabeça durante todo o banho


Monica Adamczyk/Stock Photos

MAMADEIRA SEM BISFENOL-A

O que é: a boa e velha mamadeira de vidro, mas com bico de polipropileno e silicone, materiais considerados inofensivos à saúde
Por que faz sucesso: pesquisas feitas em ratos associaram a exposição prolongada ao bisfenol-A – substância química usada para dar maleabilidade às mamadeiras de plástico – ao surgimento de cânceres
e danos cerebrais. O bisfenol-A é liberado em quantidades muito pequenas quando o plástico é exposto a altas temperaturas, como no micro-ondas ou em banho-maria. No Brasil, o produto é liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
O que diz quem usa: apesar de ser 70% mais cara,
a mamadeira de vidro é atóxica e mais fácil de limpar
O que dizem os especialistas: seu uso é desaconselhável quando a criança começa a andar, pelo risco de quedas e ferimentos. É preciso tomar cuidado também com o superaquecimento do vidro.


FRALDA DE PANO

Divulgação

O que é: em lugar do plástico, usam-se algodão, flanela, malha e uma camada impermeável de poliamida
Por que faz sucesso: é uma alternativa à fralda descartável, que leva 450 anos para se decompor, contra um ano da sua versão de pano. Apesar de custarem 90% mais do que as de plástico, as fraldas de tecido podem ser lavadas e reutilizadas até 100 vezes, o que representa economia no final das contas
O que diz quem usa: lavar fraldas de pano não é tarefa das mais fáceis. É preciso deixá-las de molho para evitar manchas. A maioria das mães não aboliu completamente as fraldas descartáveis, úteis em viagens ou nas saídas com o bebê – isso evita ter de guardar a fralda suja
O que dizem os especialistas: o contato com o tecido no lugar do plástico traz mais conforto ao bebê porque permite a transpiração e reduz as assaduras. Lavadas de maneira incorreta, contudo, elas podem causar alergias e infecção urinária

 

SLING

FILHO EMBRULHADINHO
É assim que a cantora Claudia Leitte carrega Davi, de 2 meses

O que é: uma faixa de tecido que, ajustada ao corpo da mãe, forma uma espécie de rede para carregar bebês e crianças de até 2 anos
Por que faz sucesso: como os bebês ficam coladinhos à mãe, atribui-se ao sling o fortalecimento do vínculo entre ela e o filho. Ele teria ainda um efeito calmante sobre os bebês mais chorões
O que diz quem usa: é prático e confortável nos primeiros meses do bebê. Quando ele fica maiorzinho, por volta dos 10 meses, é preferível usar o canguru, que deixa braços e pernas livres
O que dizem os especialistas: a partir de 1 ano de idade, a criança fica mais inquieta e existe o risco de queda. O sling não deve ser usado por longos períodos – o máximo recomendável é uma hora por dia. Mais do que isso, aumenta o risco de lesões na coluna da mãe

 

 

Especialistas consultados: a enfermeira e consultora de amamentação Eneida Souza, a médica neonatologista Luisa Helena Madureira, os pediatras Maurício Lima (USP), Paulo Nader (Sociedade Brasileira de Pediatria), Roberto Bittar e Sandra Campos (Unifesp) e Victor Nudelman (Hospital Albert Einstein) e a psicoterapeuta Doris Barg (especialista em cuidados pós-parto)



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