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Edição 2106

1º de abril de 2009
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Moda
Na trilha do sucesso

Antes mesmo de chegar às lojas, a nova (e caríssima)
sandália Louis Vuitton já está nos pés das famosas.
Resultado: quem pode quer ter uma

Divulgação
Spicy em fila de espera
Jacobs: "Pensei nas máscaras africanas. Passamos a noite cortando tiras de couro, colando contas"


Desde sempre que, para transformar produtos em objetos de desejo irrefreável, as marcas famosas os oferecem – de graça, ou com desconto, ou furando fila – àquelas pessoas que fazem moda e que adoram sair por aí usando primeiro o que todas vão querer depois. A tática é muito eficiente e, evidentemente, vem sendo utilizada nestes tempos de crise com impressionante vigor. Exemplo: a sandália Spicy, da Louis Vuitton, reunião de vários tipos de couro, plumas e contas em seis modelos desfilados na coleção primavera-verão em outubro, em Paris, e que começa agora a chegar às lojas. A primeira a aparecer com uma Spicy foi Madonna, atual garota-propaganda da marca, que num jantar de gala beneficente em Nova York em novembro assessorou com um par seu inesquecível vestido Garibaldo-da-Vila-Sésamo de plumas verdes (também Louis Vuitton). Seguiram-se a atriz Chloë Sevigny, numa festa de réveillon em Miami, a onipresente Victoria Beckham, em momento simplesinho em Londres, a modelo Heidi Klum e outras famosas e estilosas, felizes da vida com seu vistoso e altíssimo adereço.

Em São Paulo na semana passada, o estilista Marc Jacobs, que assina a sandália, explicou a VEJA como foi que a Spicy nasceu. "Queria fazer algo étnico, então pensei nas máscaras africanas", diz Jacobs. "Uma semana antes do desfile, eu e mais três pessoas da minha equipe passamos a noite cortando tiras de couro, colando contas. Cada um tinha uma caixa com várias peças e, sem olhar nem se inspirar em nenhum livro ou foto, foi simplesmente cortando e colando, como se fosse uma bricolagem. Isso rendeu seis modelos, todos de formato esportivo, lembrando as botas de escalada." Missão criativa cumprida, o estilista encaminhou a obra para o passo seguinte. "Mandamos tudo para a linha de produção da Louis Vuitton, que viabiliza a fabricação dos protótipos. Nunca é simples, mas eles estão acostumados comigo", brinca. Os seis modelos originais custam uma fortuna: em Paris, a cidade mais barata para comprar legítimos produtos LV, a sandália começa em 1 250 euros (3 800 reais) e, nos modelos de couro nobre, como píton, e pedras semipreciosas, bate em estratosféricos 2 250 euros (6 800 reais) – a título de comparação, o carro Nano, "o mais barato do mundo", da indiana Tata Motors, vai custar o equivalente a 4 400 reais. A marca, no entanto, oferece versões mais simplesinhas e a loja de São Paulo já tem data para receber os primeiros doze pares nessa categoria: 30 de março. E preço: 2 200 reais. A lista de espera está com 32 nomes.

 



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