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1º de abril de 2009
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Medicina
O ponto fraco

Cientistas descobrem que a espessura do
córtex pode estar associada à depressão


Laura Ming e Renata Moraes

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Os médicos acreditam que a depressão patológica é causada, principalmente, por alterações químicas no cérebro. Os baixos níveis de serotonina e de dopamina, neurotransmissores responsáveis por regular o humor, são a maior evidência biológica da doença. Um estudo da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, divulgado na semana passada, traz uma nova pista para desvendar as origens da depressão. A pesquisa compara a estrutura cerebral de pessoas com histórico familiar da doença, e, portanto, com probabilidade de desenvolvê-la, à de outras sem essa característica. No grupo de risco observou-se uma alteração anatômica no cérebro que surpreendeu os cientistas – o córtex direito era 28% menos espesso. Essa diferença é comparável às perdas de massa cerebral que ocorrem em pacientes com Alzheimer, em estágio inicial.

O córtex lateral é responsável pela determinação do estado emocional, pela capacidade de tomar decisões e pela habilidade de planejamento. É comum que pessoas que sofreram algum tipo de trauma físico nessa região desenvolvam depressão. Além de ficarem apáticos, os depressivos costumam ter dificuldade em fazer escolhas e planejar a vida. Disse a VEJA o psiquiatra americano Bradley Peterson, responsável pelo estudo: "Deficiências nessa região do cérebro interferem no processamento de estímulos emocionais. Essas pessoas acabam isoladas em seu universo e ficam mais vulneráveis à ansiedade e à depressão".

A pesquisa analisou o cérebro de 131 voluntários entre 6 e 54 anos, metade deles com histórico familiar de depressão. Nesse grupo, embora tivessem o córtex direito menor, nem todos haviam apresentado a doença. Sabe-se que o quadro depressivo é desencadeado tanto por pressões biológicas como sociais. Os cientistas ainda não conseguiram definir como a menor espessura do córtex direito se relaciona com a propensão a desenvolver depressão. Não se sabe se esse é um fator determinante para sofrer da doença no futuro ou apenas um sinal de vulnerabilidade a ela. O próximo passo é desvendar essa questão.

 
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Montagem sobre fotos de 3 D 4 Medical/Getty Images/Dr. Bradley Peterson/Columbia University

 

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