Edição 1 638 - 1°/3/2000

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Lauro Jardim

Chico Caruso/O Globo
Nossos craques:
Rivaldeque Ornélas!

 

GOVERNO

Bye, bye Brasil

FHC já sabe para onde vai depois de entregar a faixa a seu sucessor no dia 1º de janeiro de 2003. Avisou a amigos e assessores que passará um ano fora do país, viajando pela Europa e Estados Unidos.

Rodando a baiana

ACM não suporta mais ouvir falar no vice-presidente Marco Maciel. Quando estava em tratamento de saúde em São Paulo, nem sequer retornava as ligações de Maciel. Agora, responsabiliza o vice pelo fortalecimento da candidatura Roseana Sarney. Enxerga no "roseanismo" de última hora de Maciel uma manobra para isolá-lo dentro do PFL.

O nome

O candidato de FHC na sucessão de Michel Camdessus na direção geral do FMI é o binacional Caio Kock Weser, um alemão nascido no Brasil. Stanley Fischer, o queridinho da equipe econômica, é apenas a segunda opção.

 

ECONOMIA

Alegria, alegria

O empresário Benjamin Steinbruch ficou feliz da vida com a queda de Andrea Calabi, do BNDES. Agora, o caminho está aberto para que ele volte a negociar sua parte na CSN com a Arbed.

Jogo bruto

Veja um singelo exemplo de como os americanos sabem se defender. A California Steel foi um dos dezoito signatários do pedido de sobretaxação do aço brasileiro pelos Estados Unidos. Adivinhe quem é sua controladora? Nada menos que a Vale do Rio Doce. A California Steel fez isso porque, apesar de ser controlada por uma empresa brasileira, se sente obrigada a defender os interesses americanos acima de tudo. Tudo bem. Mas será que alguma multinacional instalada por estas bandas teria a mesma ousadia?

Concorrência pesada

A Nationwide, uma das maiores seguradoras americanas, começa a operar no Brasil em dois meses. A autorização da Susep já está saindo do forno. Como o desembarque gringo é para valer, eles negociam também a compra do setor de seguros de vida da Marítima Seguradora.

O PT e a Previ

O PT está interessadíssimo em mandar um pouquinho que seja na poderosa Previ, dona de um caixa de 32 bilhões de reais. Dentro de dois meses, 150.000 associados escolherão parte da nova diretoria. O presidente do PT, José Dirceu, e o deputado Aloizio Mercadante têm feito das tripas coração para que duas chapas ligadas ao partido se fundam numa só, mais forte. Por enquanto, não tiveram sucesso.

 

CERVEJA

Perde aqui, ganha ali

Desde que foi anunciada a criação da AmBev, em junho, duas marcas da empresa tiveram comportamentos opostos no mercado. A Skol aumentou sua participação de 27,1% para 28,8%. E a Antarctica caiu de 23,4% para 20,9%. É por essas e outras que os controladores da AmBev têm urticária quando ouvem falar em ter de vender a Skol para que a fusão seja aprovada pelo governo.

Foi mal

Marcel Telles, um dos comandantes da AmBev, fez chegar na semana passada uma cartinha aos ministros Pedro Malan e José Carlos Dias. Na correspondência, reconhece que foi infeliz ao qualificar de "burro e covarde" o parecer da Secretaria de Direito Econômico que condenava a fusão Brahma-Antarctica.

 

EDUCAÇÃO

Escola de adultos

Entre 1996 e o ano passado, subiu de 7 milhões para 8,5 milhões o total de brasileiros com mais de 15 anos de idade que estão matriculados no ensino fundamental. No ensino médio, o número de pessoas com 18 anos ou mais passou de 3 milhões para 4,3 milhões. Nos dois casos, a maioria havia interrompido os estudos. Claro que é uma notícia alvissareira. Mas ela embute uma má notícia: o atraso escolar ainda é uma poderosa chaga na educação brasileira.

 

TELEVISÃO

Inspiração brega

A produtora americana Guest Music está acionando Silvio Santos na Justiça de São Paulo por plágio de dois programas – Em Nome do Amor e Concurso de Paródias (este recém-ejetado do ar). Quem conhece SS sabe que ele não está nem aí para isso: vai continuar trazendo o melhor da programação brega para a tela quente do SBT.

Garras perto de Naya

Ricardo Stuckert

Naya: depósitos no exterior


O Leão está de malas prontas para uma mordida internacional no ex-deputado Sérgio Naya. A Receita Federal encontrou documentos que contêm indícios de sua movimentação financeira no exterior, nunca declarada ao Fisco. Os papéis, que estavam escondidos no apartamento 102 do hotel Saint Paul, em Brasília, de sua propriedade, foram achados pela Polícia Federal. Eles indicam que o acusado pelo desabamento do edifício Palace II tinha dinheiro nos Estados Unidos e na Suíça. A papelada não é prova definitiva de nenhum crime, mas abre caminho para a investigação de suas contas no exterior. Isso era até hoje um enigma para a Receita.

Colaborou Julio Cesar de Barros