Edição 1 638 - 1°/3/2000

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Bate-papo com a rainha

Entre as inúmeras qualidades profissionais da editora Thaís Oyama está a de arrancar de seus entrevistados as mais surpreendentes e emocionantes respostas. Ela fez entrevistas inesquecíveis com artistas, políticos e presidentes. De todos eles obteve revelações nunca feitas antes publicamente. Na semana passada, Thaís desembarcou em Estocolmo, onde nesta época do ano faz 0 grau Celsius e a noite cai às 5 da tarde, para entrevistar uma soberana de verdade, a rainha Silvia, da Suécia, que nasceu na Alemanha, mas é filha de mãe brasileira e dos 4 aos 13 anos morou no Brasil. A rainha a recebeu em um salão requintado do imenso Palácio Real e fez questão de lhe mostrar uma peça com o brasão dos Orleans e Bragança, a família real brasileira, que faz parte da coleção do palácio. "No começo, estávamos meio formais, mas logo descontraímos e a entrevista virou um bom papo", conta Thaís. "Rimos muito. Ela tem grande senso de humor."

Aos 34 anos, Thaís é tarimbada em empreitadas incomuns, até porque começou no jornalismo cobrindo a área policial e acompanhando viaturas durante a madrugada. Para uma reportagem sobre como funciona a cabeça de um bandido, conversou cara a cara, sozinha, com ladrões em plena atividade. Em outra ocasião, percorreu durante um mês o interior do Pará e do Maranhão para conhecer de perto a vida das mulheres nos acampamentos de sem-terra. Também viajou a trabalho ao Japão, onde se embrenhou nos mistérios da feroz Yakuza, a máfia japonesa. A ela, o eterno candidato petista à Presidência Luís Inácio Lula da Silva confessou numa entrevista: "Meu sonho é jantar no Massimo" (um dos restaurantes mais chiques de São Paulo). E Adriane Galisteu, recém-saída de um casamento desfeito porque trabalhava demais, admitiu: "Adoro dinheiro". "Sempre que saio para uma entrevista, tenho em mente uma certeza: as boas histórias estão lá, basta saber como arrancá-las", diz Thaís. Nisso, ela é mestra.