Bate-papo com a rainha
Entre as inúmeras qualidades profissionais da editora
Thaís Oyama está a de arrancar de seus entrevistados
as mais surpreendentes e emocionantes respostas. Ela fez
entrevistas inesquecíveis com artistas, políticos
e presidentes. De todos eles obteve revelações
nunca feitas antes publicamente. Na semana passada, Thaís
desembarcou em Estocolmo, onde nesta época do ano
faz 0 grau Celsius e a noite cai às 5 da tarde, para
entrevistar uma soberana de verdade, a rainha Silvia, da
Suécia, que nasceu na Alemanha, mas é filha
de mãe brasileira e dos 4 aos 13 anos morou no Brasil.
A rainha a recebeu em um salão requintado do imenso
Palácio Real e fez questão de lhe mostrar
uma peça com o brasão dos Orleans e Bragança,
a família real brasileira, que faz parte da coleção
do palácio. "No começo, estávamos meio
formais, mas logo descontraímos e a entrevista virou
um bom papo", conta Thaís. "Rimos muito. Ela tem
grande senso de humor."
Aos 34 anos, Thaís é tarimbada em empreitadas
incomuns, até porque começou no jornalismo
cobrindo a área policial e acompanhando viaturas
durante a madrugada. Para uma reportagem sobre como funciona
a cabeça de um bandido, conversou cara a cara, sozinha,
com ladrões em plena atividade. Em outra ocasião,
percorreu durante um mês o interior do Pará
e do Maranhão para conhecer de perto a vida das mulheres
nos acampamentos de sem-terra. Também viajou a trabalho
ao Japão, onde se embrenhou nos mistérios
da feroz Yakuza, a máfia japonesa. A ela, o eterno
candidato petista à Presidência Luís
Inácio Lula da Silva confessou numa entrevista: "Meu
sonho é jantar no Massimo" (um dos restaurantes mais
chiques de São Paulo). E Adriane Galisteu, recém-saída
de um casamento desfeito porque trabalhava demais, admitiu:
"Adoro dinheiro". "Sempre que saio para uma entrevista,
tenho em mente uma certeza: as boas histórias estão
lá, basta saber como arrancá-las", diz Thaís.
Nisso, ela é mestra.